Ainda é cedo para fazer prognósticos, no entanto, o director da Escola Portuguesa de Macau acredita que a instituição deverá manter um número de estudantes próximo dos 600 no próximo ano lectivo. Além disso, prevê que a tendência de procura de alunos de língua materna não portuguesa deverá continuar. No sábado, a escola vincou a sua posição em defesa da sustentabilidade ambiental e contra o uso de plásticos

 

Liane Ferreira

 

O Dia Aberto da Escola Portuguesa de Macau (EPM) decorreu durante a manhã de sábado, com “bastante adesão”, segundo destacou o director do estabelecimento de ensino à TRIBUNA DE MACAU.

Apesar da boa adesão a essa actividade e do aumento de alunos neste ano lectivo, que arrancou com cerca de 600, Manuel Machado considera ser ainda cedo para fazer previsões quanto ao número de estudantes para 2019/2020. “Neste momento não tenho dados que permitam fazer uma antecipação, mas julgo que o número se manterá sensivelmente dentro desses valores. Só depois das pré-inscrições é que terei esses números”, declarou.

“Julgo que haverá tendência para alunos de língua não materna portuguesa continuarem a procurar a nossa escola”, afirmou Manuel Machado, quando questionado sobre um possível acréscimo nos estudantes que não falam Português, já que 51% dos 76 que ingressaram no primeiro ciclo apresentam essa característica.

Manuel Machado frisou que os candidatos terão de “ser alvo de uma selecção rigorosa porque todo o currículo é em Português. Portanto, é impensável um jovem que não saiba Português fazer o seu percurso na EPM”. “A condição sine qua non é o domínio da língua portuguesa ou frequentar o ano preparatório, embora este também tenha limites, não pode ter mais do que um determinado número de alunos. Obviamente que estamos abertos, mas na altura das inscrições logo veremos”, destacou.

Este ano, o Dia Aberto teve “moldes um bocadinho diferentes”. “Concentrámos os nossos esforços só da parte da manhã e no átrio principal onde foram expostos os stands dos diferentes departamentos curriculares, do primeiro ciclo, dos serviços de psicologia, orientação e ensino especial, da associação de pais, dos alunos finalistas, bem como outros trabalhos realizados por outros alunos”, declarou.

“O tema aglutinador foi a sustentabilidade. Mais em concreto, foi a crítica e recusa dos plásticos ‘mais vida, menos plástico’. Em todos os trabalhos se fez alusão a este aspecto importantíssimo do dia a dia”, referiu, acrescentando que o programa incluiu ainda o “desfile sustentável”, no ginásio da escola, onde jovens do 2º e 3º ciclos desfilaram com roupas e adereços produzidos com materiais recicláveis.

“Entendemos este ano que a escola devia marcar presença nesta reflexão e debate sobre questões ambientais que são de maior importância e, a partir desta actividade, sensibilizar os jovens juntamente com os adultos, como fazemos ao longo do ano”, salientou.

Por outro lado, ainda que sem especificar as actividades em causa, o director frisou que a instituição irá marcar os 20 anos da criação da RAEM. “Estando a escola a funcionar na RAEM e sendo este ano festejados os 20 anos, é uma data que terá de ser de alguma maneira, devidamente assinalada”, disse, recordando que o currículo da EPM inclui a história e geografia de Macau e da China e ainda uma disciplina de educação cívica.

 

Plano de expansão da EPM não está parado

Apesar da emissão da planta de condições urbanísticas já ter sido solicitada há cerca de um ano, sem que as obras tenham entretanto avançado, Manuel Machado assegura que o projecto de ampliação da Escola Portuguesa de Macau não está estagnado. “As coisas estão a andar, estão a seguir os trâmites normais, só que são coisas demoradas e não se resolvem de um dia para o outro. Não podemos dizer que estão paradas”, afirmou o director da EPM, acrescentando que não sabe dizer quando as obras poderão começar. Relativamente ao calendário anteriormente avançado e que estipulava 2023 como o ano de conclusão das obras, Manuel Machado considera que ainda há tempo, mas “tudo depende da velocidade a que as coisas correrem”. A expansão da escola prevê o aumento da altura do complexo, com um bloco com mais de 10 pisos, até um máximo de 12, que adicione 4.000 metros quadrados. O objectivo é ter condições para receber 800 alunos.