Dylan Tam
Dylan Tam

Além de acolher trabalhos de artistas locais e de outras regiões, a 10ª edição da Feira de Artesanato também proporcionou este fim-de-semana um ambiente de convívio artístico e familiar na Praça de Tap Seac

 

Viviana Chan

 

A 10ª edição da Feira de Artesanato de Tap Seac começou na sexta-feira atraindo milhares de visitantes do longo do fim-de-semana. A iniciativa abarca 220 bancas locais e do exterior e oferece 39 workshops e mais de 50 espectáculos de música. Os jovens e as famílias são o público principal da Feira, que continuará entre 20 a 22 de Abril.

Para intensificar a atmosfera de convívio, a organização, a cargo do Instituto Cultural (IC), instalou mesmo um carrossel para os mais pequenos.

A presidente do IC, Mok Ian Ian, salientou que o evento cresceu e gerou mais entusiasmo junto dos feirantes locais, garantindo que vai continuar a melhorar as condições para criar uma melhor plataforma para os artesãos.

Ouvidos pela TRIBUNA DE MACAU, alguns participantes não esconderam uma forte paixão pelo evento. Dylan Tam, responsável de vendas de relógios “Ultratime 001” salientou que a marca já tem algum nome, depois de ter ganho prémios em várias regiões e países em representação de Macau. No entanto, esta é a primeira vez que marca presença na Feira de Tap Seac.

“Queríamos aumentar a nossa popularidade e a feira é uma boa oportunidade para apresentar os produtos de Macau, porque os visitantes são residentes e turistas”, indicou.

Para Dylan Tam, o relógio de pulso é um acessório de moda ou símbolo de personalidade, sendo muito mais do que um simples instrumento de cronometragem. Por isso, as escolhas dependem das tendências ou gostos pessoais.

O design do relógio premiado é inspirado na quilometragem dos automóveis: simples e dinâmico. A forma da leitura das horas é o inverso do raciocínio convencional, pois o ponteiro é fixo, o selector giratório é que se movimenta, indicando as horas. No local de indicação dos minutos, está impresso o algarismo “18”, porque o autor considera que, para as gentes de Macau, o número representa um ponto de viragem na vida.

Dylan Tam mostrou-se satisfeito com a reacção dos visitantes. “As pessoas mostram interesse em conhecer mais a marca e a sua inspiração”, disse.

Chen Yue

Chen Yue, artesão singapuriano, é mais “experiente” na Feira de Tap Seac, sendo a 6ª vez que participa no evento. Desta vez, lidera uma delegação de artesãos de Singapura, composta por cinco pessoas.

Questionado sobre a evolução da Feira, Chen Yue destacou o desenvolvimento das indústrias culturais em Macau. “Mesmo que não seja um desenvolvimento rápido, é um progresso gradual. Nota-se que há maior participação das pessoas nas indústrias criativas e que as pessoas valorizam cada vez mais o artesanato. Os jovens locais aceitam muito mais”, frisou.

Para além disso, Chen enalteceu as melhorias nas instalações e apoios da organização. “O design das tendas é melhor, bem como a iluminação e a interacções. Há mais bancas este ano. Penso que esta actividade está a tornar-se um hábito e já cria expectativas nas pessoas”, disse.

A feira começou em 2008, inicialmente organizada pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM). “A continuidade desta actividade está a dar algum significado a Macau, porque apesar do desenvolvimento da sociedade ser focado no sector comercial, a feira mantém o ambiente de arte vivo no seio da sociedade”, referiu.

Este artesão de cadernos feitos à mão, vende cada item por cerca de 200 patacas. Segundo explicou, os pormenores dos produtos feitos à mão mostram as especificidades, diferenciando-os dos produzidos com máquinas. Os cadernos têm capas feitas com panos de diferentes origens e apresentam distintas texturas e imagens, que lhes dão vida.

Crystal Cheong (à dta)

Para celebrar o 10º aniversário da Feira de Artesanato, Chen Yue desenhou um postal para oferecer aos visitantes, procurando transmitir uma mensagem positiva da vida do artesão e da liberdade que tem para criar.

Também na Praça, entre bonecos de lã, estavam os artesãos do Estúdio “Binshu Treecie”. Crystal Cheong trabalha nesta forma de arte há pelo menos quatro anos. “No início, fazer este tipo de bonecos de lã era um hobby, aprendi na internet, mas mais tarde, as pessoas começaram a fazer encomendas, pedindo que fizesse os bonecos iguais aos seus animais”, disse. Devido ao elevado número de encomendas, Crystal Cheong é agora artesã a tempo inteiro.

A lã pode ser transformada em formas diferentes e com outras combinações. Os colares dos gatos são muito populares, tendo vendido mais de três durante a entrevista. “Muitas pessoas querem um boneco com base na imagem do seu animal, alguns até já morreram, mas as pessoas gostam de recordar as suas vidas”, disse Crystal Cheong.