A directora dos Serviços de Turismo mostrou-se confiante nos benefícios da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, um projecto que acredita ter rentabilidade económica e irá trazer mais turistas à região
Salomé Fernandes
Com a entrada em funcionamento da Ponte do Delta, a conectividade de Macau com as regiões vizinhas irá melhorar, algo que Maria Helena de Senna Fernandes espera que traga vantagens ao turismo do território, e consequentemente à economia local. “A RAEM tem estado ansiosamente à espera da abertura da ponte, e agora é tempo de capitalizarmos as oportunidades que nos traz”, declarou ontem, numa sessão com jornalistas à margem do Fórum de Economia de Turismo Global.
Do ponto de vista turístico, apontou para dois ramos. A directora dos Serviços de Turismo (DST) destacou, por um lado, a conectividade que vai aproximar Macau do aeroporto de Hong Kong, permitindo captar mais turistas e de mercados mais diversificados. Por outro lado, considerou que a ponte é um benefício em si mesma. “Acredito que muitas pessoas queiram fotografar a ponte ou mesmo andar sobre ela, o factor novidade também nos vai ser vantajoso”.
Já do ponto de vista financeiro, Helena de Senna Fernandes mostrou-se confiante com a viabilidade económica da Ponte Zhuhai-Hong Kong-Macau, em parte porque vai “certamente melhorar a imagem de Macau”. Com a entrada em operação da infra-estrutura, é necessário agora haver um enfoque na cooperação com as regiões próximas à RAEM. “Macau pode oferecer algo especial e único relativamente às outras províncias da Grande Baía, e podemos ser mutuamente complementares. Temos um grande potencial de cooperação através da operação desta ponte”, disse.
Isto vai passar, por um lado, por estudos sobre o comportamento dos turistas, e maior promoção na China Continental. Mas também pelo contacto directo com, por exemplo, Guangdong, para que os turistas escolham viajar para o seu aeroporto e a partir daí sejam transferidos para o aeroporto de Macau, algo que beneficiaria os dois locais. “A cooperação com Guangdong remonta a 1993, pelo que tem uma longa história. De uma perspectiva de mercado, estamos a competir um contra o outro, mas no geral cooperamos a maior parte do tempo”, sublinhou a directora da DST.
Dado que a Ponte do Delta é maioritariamente operada pela China, Helena de Senna Fernandes não avançou pormenores a esse nível, mas indicou que as autoridades dos dois lados vão trabalhar de forma próxima através das reuniões regulares de cooperação. Além disso, indicou que o mega-plano de cidade realizado em 2017 inclui o planeamento relativo à ponte, nomeadamente no que respeita aos pontos de verificação para os utilizadores. “Acho que é impressionante. Vai melhorar os transportes em Macau e a conectividade desta cidade. Ainda não é possível ter uma ideia dos números, mas a sua entrada em operação vai trazer mais turistas”, comentou.



