Profissionais da área da engenharia acreditam que é preciso estudar mais aprofundadamente os solos dos aterros de Macau, tanto dos novos como antigos. O presidente da Associação dos Engenheiros entende que estes estudos são necessários, até para alterar exigências sobre a realização de obras. Já responsáveis do Laboratório de Engenharia Civil acreditam que é preciso encontrar formas mais adequadas para consolidar as construções

 

Rima Cui

 

Embora Macau não esteja numa zona particularmente propensa a actividade sísmica, a maioria das construções no território tem menos de cinco andares e fundações relativamente simples, sem ter em consideração a capacidade de resistência a um terramoto. Pelo contrário, edifícios novos, incluindo os de habitação pública, dispõem de um design que prevê a resistência à força de sismos e do vento, assegurou Eddie Wu.

À TRIBUNA DE MACAU, o presidente da Associação dos Engenheiros afastou preocupações sobre a possibilidade de as zonas aterradas serem mais frágeis no caso de ocorrer um sismo. Segundo Eddie Wu, a estrutura das construções nos aterros não deve ser muito afectada por terramotos, uma vez que as fundações foram feitas directamente sobre a terra e não sobre o aterro.

Para o mesmo responsável, uma vez que se têm registado muitas tempestades graves nos últimos anos, é necessário estar atento às alterações climáticas e fazer estudos nesse campo, alterando algumas exigências ao nível das regras de realização de obras.

Ontem, num colóquio sobre a prevenção de terramotos, o presidente do Laboratório de Engenharia Civil de Macau (LECM) mostrou-se preocupado com os aterros, tendo em conta que os solos podem tornar-se liquefeitos durante um sismo. Ao Peng Kong sugeriu, por isso, que o Governo reveja os regulamentos associados aos aterros, usando novas regras para avaliar a necessidade de consolidação das construções.

De acordo com o “Ou Mun Tin Toi”, na mesma ocasião, Sam Keong, chefe do departamento de geotecnia do LECM, apelou a um estudo sobre solos dos antigos aterros, como no NAPE, Barra e Fai Chi Kei, porque os dados existentes sobre essas zonas não são suficientes.

Por sua vez, o director das Obras contra Sismos de Guangdong, Jiang Hui, referiu que os Novos Aterros podem enfrentar potenciais riscos com a ocorrência de sismos, pelo que é preciso apurar primeiro qual é a resistência dos Novos Aterros a actividade sísmica para mais tarde fixar estruturas adequadas, no sentido de evitar uma grande destruição.