Lucas Kuan, co-fundador da “oneCHARGE”
Lucas Kuan, co-fundador da “oneCHARGE”

O Centro de Incubação de Negócios para os Jovens de Macau acolhe e apoia 76 projectos, através da oferta de espaço, apoio financeiro, canais de divulgação e criação de pontos de ligação, revelam alguns empreendedores. Apesar de algumas empresas ligadas ao Centro não serem locais, vêem com bons olhos o mercado de negócios de Macau e o ambiente de pesquisa científica e tecnológica. No entanto, para os empreendedores, ainda há margem para alargamento dos apoios do Centro

 

Rima Cui

 

Até ao momento, 138 projectos apresentaram pedidos de participação no Centro de Incubação de Negócios para os Jovens de Macau, sendo que 101 já foram aprovados. Além disso, 76 projectos já entraram efectivamente no Centro. Entre as empresas membros do Centro, as da área de ciência e tecnologia ocupam a maioria (47%), enquanto os serviços comerciais e de âmbito cultural representam 18% e 13% do total, respectivamente. Além disso, 3% dos projectos estão ligados à medicina e outros 3% associados ao sector das convenções e exposições.

No espaço não falta a presença de empresas do exterior, como por exemplo a companhia de carregamentos energéticos imediatos “oneCHARGE”, estabelecida em Hong Kong e hoje com uma sucursal em Macau. A empresa da região vizinha entrou no Centro em Julho deste ano, com o objectivo firme de aproveitar as potencialidades do mercado de Macau, onde a procura pelo sistema de carregamento eléctrico de veículos está em crescimento contínuo.

“Macau tem vindo a promover o uso de táxis e ‘shuttle bus’ eléctricos, assim naturalmente necessita de um modelo mais avançado, como o que proporciona à nossa empresa”, apontou Lucas Kuan, co-fundador da “oneCHARGE”, em declarações à TRIBUNA DE MACAU.

Segundo o empreendedor, desde a instalação dos equipamentos até ao controlo dos dados de carregamento dos utentes, são todos serviços oferecidos pela empresa. Para além de proprietários de terrenos comerciais poderem ver directamente as receitas dos carregamentos mensalmente, os condutores também desfrutam da vantagem de carregar os veículos rapidamente, porque as matrículas são reconhecidas de forma automática.

No primeiro meio ano, desde a entrada no Centro, as empresas podem usar o espaço gratuitamente. Além disso, “cresce” com as “vitaminas” oferecidas pelo Centro de Incubação, nomeadamente apoio na divulgação, na procura de potenciais colaboradores e criação de pontos de ligação.

Lei Zhen da “Tecnologia de Nano-Metal de Zhuhai”

Manifestando agrado pelo facto do Centro passar a ser um espaço nacional, Lucas Kuan salientou que tal avanço vai ajudar a empresa a encontrar colaboradores, projectos de investimento e clientes do Continente chinês com mais facilidade, o que é importante porque, em comparação com as RAE, o Continente está mais avançado em termos científicos e tecnológicos. “Macau e Hong Kong devem acelerar o passo”, asseverou.

Por sua vez, a empresa “Tecnologia de Nano-Metal de Zhuhai” que desenvolve ecrãs dobráveis e transparentes, sobretudo para telemóveis, entrou no centro na primeira metade deste ano. Com um centro de pesquisa e desenvolvimento em Zhuhai, a companhia está determinada em aproveitar vantagens de Macau em termos de capitais e de ligação a outros países.

“A entrada no Centro de Incubação está a ajudar-nos a concretizar o nosso objectivo. Aqui temos espaço, apoio financeiro, acesso a mais recursos e oportunidades para participar em competições. No entanto, os apoios ainda são limitados”, confessou Lei Zhen, fundador da empresa.

Para o empreendedor, apesar de Macau possuir fundos, plataformas internacionais e excelentes instituições de pesquisa, continua a carecer de empresas de ciência e tecnologia de alto nível.

Na próxima etapa, a empresa pretende atrair mais quadros para Macau e tentar criar um centro de pesquisa e desenvolvimento de Guangdong e Macau no território, para que se possa integrar mais na região da Grande Baía.