Cerca de 20 empresários portugueses que estão a tirar o MBA em gestão de empresas na Universidade Católica Portuguesa vão estar uma semana deste lado do mundo, passando por várias cidades do Sul da China, incluindo Macau, Hong Kong, Shenzhen e Foshan. Rita Ribeiro, que lidera a delegação, destaca que a passagem pela China tem como objectivo “encurtar quilómetros” e perceber que, apesar da distância, há coisas que funcionam da mesma forma
Inês Almeida
Pelo terceiro ano consecutivo, alunos do MBA de Gestão de Empresas da Universidade Católica do Porto vieram a Macau por ocasião de uma semana de visita a várias cidades chinesas. “Este é um programa para executivos, estamos a falar de profissionais. Este ano estão aqui 19. Neste programa está preparada uma semana de imersão em que tentamos que consigam ver uma série de empresas diferentes, desde indústria a serviços, mais ou menos tecnológicas”, explica a directora adjunta da “Business School” da Universidade Católica do Porto à TRIBUNA DE MACAU.
Esta semana tem lugar a meio do programa e envolve propósitos muito distintos. “Tem um bocadinho o objectivo de permitir ver a realidade no local, entender no contexto. Claro que numa semana não vão ver tudo mas é uma primeira experiência e um primeiro contacto e, ao mesmo tempo, ajuda-nos a criar aqui uma série de exemplos, momentos de reflexão e conversas com as pessoas das empresas e também conhecemos a parte cultural, económica e social, o que tem um impacto muito diferente de uma sala de aula a muitos quilómetros de distância”, sublinhou Rita Ribeiro.
Os participantes têm vários anos de experiência profissional em sectores empresariais distintos. “Temos aulas de áreas ligadas às engenharias, indústria, serviços, banca, finanças, saúde. A turma é bastante heterogénea e com perfis muito diferentes”.
No entanto, “a base comum é perceber como é o negócio na China, como funcionam as empresas deste lado do mundo, como se estabelecem negócios e como é que crescem ou não, como se encaixam na economia local, na política, cultura, e as questões do comportamento cultural dentro do mundo dos negócios e dentro das empresas”, frisou Rita Ribeiro.
Durante a passagem pela RAEM, os 19 empresários visitaram a Sands China e o Centro de Incubação de Negócios para os Jovens. “Da Sands o que fascina é o volume, a dimensão do negócio. Estivemos a falar com responsáveis da área dos recursos humanos porque é curioso perceber como é que a máquina de pessoas funciona e como é que se coordena as equipas, e falámos com a pessoa responsável pelas operações do Venetian, a parte operacional do serviço para o negócio do entretenimento e os outros associados ao turismo, retalho e tantos outros negócios”, explicou a directora adjunta.
A passagem por Macau é um primeiro contacto com a realidade da China, portanto, “é uma forma de encurtar os quilómetros e perceber que, se calhar, aqui algumas coisas funcionam da mesma forma”.
Ontem à tarde, a delegação partiu para Zhongshan e ainda passará por cidades como Foshan, Shunde, Shenzhen e Hong Kong. O facto de Macau ser o primeiro ponto de passagem é o mais lógico, explica José Alves, responsável pela coordenação do projecto ao nível da Universidade de São José (USJ).
“Escolheram vir a Macau e à China por ser um país importante na economia mundial e tendo a presença aqui da USJ tiram partido do conhecimento que temos e da facilidade em organizar as visitas”, indicou o director da “School of Business” à TRIBUNA DE MACAU. “Em simultâneo, também convidámos oradores, ou os directores das empresas que visitámos, ou os nossos professores, para fazer pequenas palestras explanatórias do que é o ambiente de negócios na China, as oportunidades, desafios e dificuldades”, acrescentou.
Passagem pela China
Ontem à tarde o grupo visitou o “Zhongshan 760 Cultural Park”. “Amanhã [hoje] de manhã vamos visitar o Guangdong Design Industrial Center e uma grande empresa de electrodomésticos e há-de haver uma apresentação ou palestra do director”, contou José Alves. Também os professores podem proferir algumas palestras para “tentar contextualizar o que é relevante [os alunos] reterem”. Está também agendada uma visita a Foshan e a Shunde.
“Na quarta-feira de manhã vamos visitar a Guangdong Foday Automobile Co Ltd., uma grande empresa que hoje produz veículos para a China e exporta para outros países e na quinta-feira vamos visitar a bolsa de Shenzhen. Teremos uma pessoa da empresa ‘China Taiping’ a fazer uma apresentação do mercado financeiro em Shenzhen e visitaremos a famosa ‘Tencent’, que produz a aplicação WeChat”, destacou José Alves.
A viagem pelo Sul da China termina em Hong Kong, onde o grupo visitará a Feira de Electrónica que decorre ao longo desta semana. “Durante a feira há várias palestras a decorrer e seminários, portanto, os alunos vão ter a oportunidade de frequentar algumas dessas sessões”, disse, acrescentando que o programa também inclui uma visita ao “Invest Hong Kong”, instituição do Governo de Hong Kong para atrair investimento.
Através destas visitas, os 19 alunos do MBA da Universidade Católica do Porto “vão-se aperceber das diferenças culturais entre fazer negócios na China e as práticas e hábitos que têm em Portugal e na Europa”. A segunda dimensão da visita passa por perceber “a dinâmica económica, especialmente na zona Sul da China” e a escala das empresas.
“A terceira dimensão, mais prática, será que eles façam contactos com estas instituições e empresas que organizam as visitas e, possivelmente, no futuro, desenvolvam alguns dos contactos para eles próprios estabelecerem empresas e negócios”, frisou José Alves.



