Apesar de Myanmar ainda não permitir a estrangeiros a compra de terrenos ou casas, empresários de Macau manifestaram interesse nessa área durante a visita comercial efectuada ao país. O tópico esteve em debate num encontro entre a delegação de Macau e o secretário-geral do IBPC, instituto de promoção comercial com sede em Yangon
Rima Cui*
Em Yangon
No âmbito da visita comercial e cultural a Myanmar, a delegação de empresários de Macau visitou a sede do “Internacional Business Promotion Centre” (IBPC), instituto de promoção comercial com sede em Yangon, que integra mais de 100 membros. Muitos destes são líderes de empresas birmanesas de grande dimensão em áreas como a construção civil, imobiliário, supermercados e sector alimentar.
Durante uma reunião que se prolongou por duas horas, os 23 membros da delegação de Macau e sete representantes do instituto birmanês discutiram amplamente as oportunidades de negócios oferecidas por Myanmar em diversos campos.
“Devido ao desenvolvimento lento do comércio, a maioria das empresas birmanesas investe muito pouco na divulgação através dos media”, apontou U Kyin Tun, secretário-geral do IBPC, que vestiu o traje tradicional do país durante o encontro. “Estamos à espera de uma política nova do governo, para facilitar o reforço da publicidade. Antigamente podíamos ter acesso às oportunidades publicitárias simplesmente através das relações. No entanto, agora reina o princípio da justiça”, sublinhou U Kyin Tun, líder de uma construtora com vários terrenos na zona de Yangon.
Por outro lado, pelo que foi possível perceber, nenhum desses empresários tem negócios na RAEM ou em países de língua portuguesa, nem estão a ponderar aproveitar os potenciais recursos da RAEM e dos mercados lusófonos.
Em sentido contrário, muitos membros da delegação de Macau mostraram interesse no mercado imobiliário de Myanmar. As questões relacionadas com esse sector foram explicadas minuciosamente pela filha de U Kyin Tun, dona de uma agência imobiliária em Yangon. Segundo a profissional, os preços dos imóveis em Myanmar apresentam ainda uma “certa disparidade com os valores devidos”, em resultado da intervenção governamental.
“Desde o ano passado, o mercado imobiliário começou a entrar numa situação estável, o que tem atraído muitas companhias de construção estrangeiras”, afirmou.
Com a tendência de estabilização do mercado, surgiram também serviços de hipotecas a longo prazo, por 15 anos. “No passado, os bancos quase não ofereciam empréstimos. No máximo, existiam modelos de liquidação com prazos de três ou cinco anos, porém, mesmo assim as pessoas tinham de pagar juros elevados de 13,5%”, salientou a proprietária da agência imobiliária.
De acordo com as informações partilhadas com a delegação de Macau, por norma, os preços das casas em zonas comuns de Yangon oscilam entre 200 e 300 dólares americanos por pé quadrado. Para adquirirem fracções habitacionais no centro urbano, os interessados devem estar preparados para desembolsar entre 500 a 600 dólares americanos por pé quadrado.
Quanto ao nível das rendas, os valores mensais variam entre 1,5 e dois dólares por pé quadrado para as fracções habitacionais. No caso dos escritórios, os preços podem variar entre três e cinco dólares americanos por mês.
“É de salientar que os estrangeiros não podem comprar casas ou terrenos em Myanmar”, frisou a representante birmanesa, explicando que actualmente o governo planeia estender o centro de cidade para os arredores, onde deverão ser construídas habitações passíveis de satisfazer as necessidades das pessoas com baixos e médios rendimentos.
Medicina chinesa não convence birmaneses
Por sua vez, Crystal Chui, representante de vendas em Macau da empresa de acupunctura moderna “Ai Ai Tie”, reiterou a forte de vontade divulgar produtos de medicina chinesa em Myanmar, contudo, segundo representantes do IBPC, a população birmanesa está habituada a recorrer à medicina ocidental. Como o contacto com a medicina chinesa é muito raro, os birmaneses não confiam nesses tratamentos médicos, nem nos respectivos produtos.
Mesmo assim, os membros daquele organismo sugeriram à empresária de Macau a organização de grupos exclusivos de medicina chinesa, incluindo médicos reconhecidos, para tentar despertar o interesse do povo birmanês por esse ramo da medicina.
Em contrapartida, duas empresárias integradas na comitiva de Macau, com interesses na comercialização de bebidas de mirtilos produzidas nos Estados Unidos, poderão vir a ter mais sorte. Depois de ter provado esse produto e ouvido a respectiva apresentação, Zhang, empresário birmanês de origem chinesa que possui uma cadeia de supermercados de grande dimensão em Yangon, comprou duas garrafas, ao preço unitário de quase 400 patacas. Para já, segundo explicou, a intenção é “conhecer melhor o produto e ponderar sobre a introdução nas prateleiras”.
Considerando que se trata de um “bom sinal”, as duas empresárias confessaram estar muito confiantes na concretização da cooperação com o proprietário da cadeia de supermercados.
* Jornalista do JTM viajou a convite da Associação de Amizade Macau-Myanmar



