Na sua última intervenção como Cônsul-Geral nas comemorações locais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, Vítor Sereno dirigiu-se a uma comunidade com “grande sentido patriótico” mas que se entrega a Macau com “afinco”, “energia”, “vitalidade e saber”. Sereno despediu-se ainda de uma comunidade “exigente”, que ama “profundamente Macau” e é “activa na renovação das relações entre portugueses e chineses”. Em nome do Governo português, António Mendonça Mendes destacou a “forte e sólida amizade” entre Portugal e a China, incluindo a RAEM, onde residem muitos portugueses que são “motivo de orgulho” para o país. Já Chui Sai On voltou a salientar o contributo de portugueses e macaenses para o desenvolvimento do território

 

Catarina Almeida

 

O Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong recebeu ontem, pela sexta e última vez, membros das comunidades portuguesa, chinesa e macaense na sua residência oficial, no âmbito das celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Perante o Chefe do Executivo da RAEM, Secretários das cinco tutelas, o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais de Portugal e inúmeras individualidades locais, Vítor Sereno reiterou “grande apreço” pela comunidade lusa em Macau, à qual se dirigiu, desde o primeiro dia, “como o Cônsul-Geral dos Portugueses em Macau”. “Fi-lo por convicção de ofício. Porque vejo a diplomacia de proximidade – aquela que sabe conjugar a promoção e a defesa dos superiores interesses de Portugal e dos portugueses com o conhecimento e a interacção muito próxima com as pessoas – como uma forma maior de cumprir a missão que o Estado português me confiou”, disse.

Além disso, fê-lo também porque “esta comunidade portuguesa de Macau o exige e merece”. “É uma comunidade que alia um grande sentido patriótico a uma consciência clara do seu papel e da sua importância para Portugal, sim, mas particularmente para esta RAE, à qual entrega, com afinco, a sua energia, a sua vitalidade e o seu saber”, destacou.

É, por isso, uma “comunidade exigente, mas é também uma comunidade activa na renovação das relações entre portugueses e chineses”, acrescentou.

Vítor Sereno realçou ainda que se trata de uma “comunidade que ama profundamente Macau, com que se identifica como qualquer habitante local”. “Orgulho-me, por isso, profundamente desta comunidade portuguesa e tenho toda a confiança quanto ao seu futuro”, vincou.

Noutra vertente, considerou ser o momento certo para “dar um passo qualitativo no investimento chinês em Portugal, direccionando-o também para a criação de empreendimento de raiz em novos sectores”.

Na recta final da sua intervenção, Vítor Sereno entregou a Chui Sai On uma camisola da selecção portuguesa de futebol com o número sete, em nome de toda a comunidade, convencido de que vai “novamente trazer boa fortuna”. “Estou absolutamente convicto (…) de que quando voltar a Portugal, nos visitará como campeões do Mundo”.

Por fim, assegurou que sairá de Macau com “prazer e [com] este orgulho em ser vosso Cônsul-Geral, que espero possa ser recíproco – sinal que é, de facto, na proximidade que se faz diplomacia e bons amigos”.

Após aas intervenções oficiais, o Cônsul-Geral anunciou que, em conjunto com o Cônsul-Honorário Ambrose So, o Grand Lisboa foi iluminado, pela primeira vez, de verde e vermelho para assinalar o 10 de Junho.

 

Gerações que “orgulham”

Por sua vez, o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais de Portugal expressou orgulho pela comunidade portuguesa local, “composta por diferentes gerações de talentos”.

“Estamos em todos os sectores da sociedade macaense e nos portugueses é depositada a maior confiança pelas autoridades de Macau. Os portugueses com o seu saber e labor prestam diariamente o seu contributo para o extraordinário e impressionante desenvolvimento que continuadamente assistimos na RAEM nas últimas [quase] duas décadas”, destacou António Mendonça Mendes.

Para o Secretário de Estado é “motivo de orgulho e regozijo para todos” a forma como “nos integramos, respeitamos e somos respeitados” no território.

Dirigindo-se ao Governo da RAEM, vincou que “Macau uniu, une e unirá sempre Portugal à República Popular da China”. “Mas também une os nossos países uma forte e sólida amizade (…) que se alicerça numa cada vez mais crescente cooperação nos mais diversos domínios, desde o cultural ao económico e comercial”, disse.

António Mendonça Mendes aproveitou ainda a ocasião para “enaltecer e reconhecer publicamente o trabalho muito relevante” que Vítor Sereno desempenhou “ao serviço de Portugal e portugueses ao longo destes quase seis anos”.

 

Chefe realça “papel social”

O Chefe do Executivo reconheceu o “papel social desempenhado pelos portugueses e pelos macaenses aqui residentes enquanto parte integrante da configuração social multicultural, respeitando e valorizando a cultura da língua portuguesa e a cultura macaense”. Durante a recepção à comunidade na residência consular, Chui Sai On disse ainda esperar que os membros dessas comunidades “continuem a ter uma participação activa nos diversos trabalhos da RAEM, dando os seus valiosos contributos à construção e ao desenvolvimento de Macau”.

Chui Sai On congratulou Vítor Sereno pelos mais de cinco anos de exercício em funções, que cumpriu com “dinamismo, pragmatismo, eficiência e boa vontade” e que motivaram “projectos com vista à intensificação das relações de amizade entre Portugal e a RAEM, e, também, ao estreitamento do relacionamento com a comunidade portuguesa local”.

Já o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura destacou o “grande”, “excelente” e “fabuloso” trabalho de Vítor Sereno em prol não só da comunidade portuguesa mas também chinesa. “Nenhum governante como eu conhece o trabalho do dr. Vítor Sereno. Graças a ele, hoje em dia, as nossas comunidades portuguesa e chinesa estão cada vez mais próxima: jogamos futebol, trocamos ideias. E está a apoiar muito a minha pasta. Estamos a fazer um grande trabalho de divulgação da língua portuguesa e o senhor cônsul tem trabalho e ajudado muito”, disse.

“As comunidades chinesa e portuguesa vão ter saudades dele”, sublinhou Alexis Tam, em declarações aos jornalistas.

 

Troca de  informações financeiras ainda este ano

Os Governos de Portugal e Macau poderão assinar ainda este ano o acordo relativo à troca de informações fiscais, disse António Mendonça Mendes à Rádio Macau. “A troca de informações financeiras é fundamental para combater a fraude e a evasão fiscal mas também fenómenos ilícitos que estão muito associados ao sistema financeiro, como o combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo”, frisou o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais de Portugal. Quanto à abolição da figura do representante fiscal para quem tem compromissos em Portugal, indicou que pode acontecer “muito em breve”. Está agendada para hoje uma reunião com Lionel Leong.

 

Consulado terá Espaço Cidadão em breve

Está a ser planeada para “muito em breve” a instalação no Consulado-Geral de Portugal em Macau de um Espaço Cidadão, assegurou o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. Segundo António Mendonça Mendes, esta iniciativa vai ao encontro do “esforço continuado da modernização” dos serviços consulares por parte de Lisboa.