Admitindo que tem havido progressos no que respeita à qualidade das águas costeiras, Ella Lei observa que a poluição e os maus cheiros continuam ainda a ser um problema em algumas zonas de Macau. Nesse sentido, a deputada pede mais medidas ao Governo, como a ampliação da rede de drenagem e a sua reconfiguração, e mais trabalhos diários de limpeza de resíduos. Além disso, insta o Executivo a ser mais célere na realização do estudo sobre a monitorização da poluição da água no Porto Interior

 

CATARINA PEREIRA

 

Apesar de a qualidade geral da água das áreas marítimas ter vindo a melhorar ao longo dos anos, a poluição continua a ser um problema em Macau, bem como os maus cheiros em determinadas zonas da cidade. O alerta chega da deputada Ella Lei, que defende que é necessário continuar a optimizar a gestão da qualidade das águas costeiras.

Por um lado, apontou que continua a haver queixas de residentes sobre maus cheiros junto da zona da Estação elevatória da Bacia Norte do Patane e da ciclovia “Flor de Lótus”, localizada na zona Oeste do COTAI. Por outro, lembra igualmente que, por vezes, ao longo da costa na Zona Norte, são detectadas águas residuais após as chuvas, ao passo que no Porto Interior há acumulação de “lixo do mar”.

Essas situações, sublinha numa interpelação escrita, “exigem um reforço de limpeza”. “No futuro, as autoridades devem continuar a optimizar ainda mais a gestão da qualidade da água ao longo da costa de Macau; promover a ampliação da rede de drenagem e a sua reconfiguração com separação de fluxos na rede de drenagem dos bairros antigos segundo a respectiva calendarização; e, ao mesmo tempo, optimizar os trabalhos diários de limpeza de resíduos ao longo da costa”, refere a deputada ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau.

Ella Lei considera também que o Governo deve “reforçar o combate à descarga ilegal de águas residuais”, bem como iniciar, “com a maior brevidade possível”, o estudo sobre o plano de tratamento e monitorização da poluição da água no Porto Interior. Defende ainda que deve ser reforçada a divulgação de dados sobre a monitorização da qualidade da água nos pontos críticos sobre os quais foram apresentadas queixas.

Citando o relatório do Estado do Ambiente de 2025, Ella Lei lembra que os “índices de avaliação da exposição não metálica” nos pontos de monitorização do Fai Chi Kei e do Porto Interior continuam elevados. Nesse sentido, questiona sobre quais são os planos das autoridades para melhorar de forma contínua a qualidade da água no Porto Interior.

Além disso, aponta que os cidadãos têm manifestado preocupação com as questões da drenagem de águas residuais e da qualidade da água nas zonas da Bacia Norte do Patane e da ciclovia “Flor de Lótus”, considerando que estão de alguma forma relacionadas com os maus cheiros. Desta forma, pede medidas específicas para acabar com os maus cheiros, como o reforço dos trabalhos de desobstrução da rede de drenagem, de dragagem do leito marítimo e de limpeza, e do melhoramento das instalações de drenagem.

Por último, a deputada pretende saber qual é o andamento do estudo sobre os critérios e a legislação referente à “Norma para a qualidade ambiental das águas marítimas de Macau”, proposta que consta do “Planeamento da Protecção Ambiental de Macau (2021- 2025)”.