A RAEM já sentiu o impacto da guerra comercial entre a China e os EUA no terceiro trimestre do ano passado, consideram académicos da Universidade de Macau que, atendendo ao abrandamento económico no Interior da China e no mundo em geral, prevêem que o crescimento do PIB do território poderá quedar-se por 2,7% em 2019. O futuro é incerto, salientaram, frisando que os factores externos não são controláveis

 

Viviana Chan

 

O Centro de Estudos de Macau e o Departamento de Economia da Universidade de Macau (UM) divulgaram ontem um estudo sobre a previsão macroeconómica da RAEM para 2019. “O impacto negativo dos atritos comerciais com os Estados Unidos e os outros ajustamentos estruturais que têm surgido nos últimos meses, indicam que a economia de Macau deve ser alvo de incertezas este ano, reduzindo a previsão do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) local”, diz o documento, antecipando um aumento de 2,7%.

Segundo os economistas da UM, esta previsão em baixa do crescimento do PIB para 2019 enquadra-se num intervalo entre -6,5% e 11,9%, percentagens estimadas para as perspectivas mais pessimistas e optimistas, respectivamente.

Na análise, é salientado que as exportações podem ser altamente influenciadas pelas condições externas e pelas políticas do Governo. Nesse sentido, os académicos responsáveis pelo estudo ressalvaram que os dados finais podem oscilar muito ao longo do corrente ano.

Chan Chi Shing, académico do Centro de Estudos de Macau, indicou que o abrandamento económico fez-se sentir a partir do terceiro trimestre do ano passado, sobretudo após a passagem do super-tufão “Mangkhut”.

“O funcionamento dos casinos de Macau foi interrompido pela primeira vez”, recordou, acrescentando que a quebra no crescimento foi muito repentina. “A economia de Macau cresceu 9,4% e 5,9% nos primeiros dois trimestres e depois baixou para apenas 1,6% no terceiro trimestre”, diz o estudo.

De uma forma geral, a equipa de investigação da UM concluiu que vários factores externos afectam o crescimento de Macau, incluindo o abrandamento da economia mundial, a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos e o afrouxamento da economia chinesa.

Em declarações aos jornalistas, o director interino do Departamento de Economia da UM, Kwan Fung, recordou que as receitas de jogo têm mantido um nível elevado, mas é difícil de prever se irão permanecer nesse patamar ao longo de 2019. Segundo sublinhou, o volume das receitas está relacionado com o número de visitantes e o seu poder de compra.

“As receitas de Dezembro foram brilhantes. Mas, se compararmos os dados de 2018 e 2017, as receitas cresceram muito nesse período, por isso, temos de ter uma atitude prudente sobre se será possível manter o ritmo. Isso não quer dizer que vá haver crescimento negativo, mas se o abrandamento económico chinês aumentar, poderá afectar directamente Macau”, disse.

O economista destacou também que as receitas de jogo de 2018 superaram sempre 20 mil milhões de patacas por mês e nalguns casos os 25 mil milhões. “Sabemos que se o nível das receitas do jogo se mantiver alto, será difícil crescerem ainda mais”, referiu.

Em conferência de imprensa, Chan Chi Shing também admitiu a possibilidade de se registar um crescimento negativo do PIB da RAEM. Além disso, indicou que no final do ano passado, verificou-se um certo negativismo no índice de gestores de compras da China, o que significa que as pessoas começam a reduzir as expectativas em relação à economia.

O mesmo relatório estima que a taxa de inflação em Macau deverá manter-se relativamente estável, fixando-se em 3% em 2019. Ao mesmo tempo, a falta de recursos humanos vai continuar, sendo que as previsões indicam por outro lado que a taxa de desemprego poderá manter-se em 2% ao longo do ano. No caso dos residentes, o relatório prevê que a taxa de desemprego atinja 2,8%. O salário médio deve rondar 16.205 patacas por mês.