No cômputo geral do primeiro semestre, a economia da RAEM cresceu 3,7%, em termos anuais, mesmo apesar de o Produto Interno Bruto ter caído 5% face ao período de Janeiro a Março, assinalando a segunda descida trimestral consecutiva. Na comparação anual, os meses de Abril a Junho também corresponderam a um abrandamento da economia pelo segundo trimestre consecutivo

 

PEDRO MILHEIRÃO

Na primeira metade do ano, a economia “global” da RAEM cresceu 3,7%, para mais de 209 mil milhões de patacas, face ao período homólogo de 2025, de acordo com dados preliminares sobre o Produto Interno Bruto (PIB) divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). Segundo a DSEC, este “crescimento estável” deveu-se à contínua subida das exportações de serviços, “impulsionadas pelo aumento homólogo do número de entradas de visitantes”. Este valor corresponde ainda a 89,1% do PIB do primeiro semestre de 2019.

No segundo trimestre, o PIB caiu 5,1% para 102,33 mil milhões de patacas, face aos meses de Janeiro a Março, e correspondeu ainda a 87,9% do volume económico do período homólogo de 2019. Recorde-se que, nos primeiros três meses do ano, a economia já tinha registado uma contracção de 7,1% comparativamente ao trimestre anterior.

Apesar de ter crescido em termos anuais, como destaca a DSEC, a subida homóloga de 0,3% confirma uma tendência de abrandamento já verificada no trimestre anterior. Entre os meses de Janeiro e Março, o PIB ascendeu 7,1%, 0,5 pontos percentuais abaixo do crescimento verificado no trimestre imediatamente anterior quando cresceu 7,6%.

Entre Janeiro e Junho deste ano, as exportações de serviços ascenderam 7,2% em termos homólogos, enquanto a despesa de consumo privado cresceu 2,8%. Por outro lado, o Governo reduziu a despesa de consumo final em 0,2%, ao mesmo tempo que a formação bruta de capital fixo contraiu 9,4%.

No mesmo período do ano passado, os dois primeiros indicadores registaram uma evolução mais modesta, face ao primeiro semestre de 2024. As exportações de serviços tinham crescido 1% e o consumo interno apenas 0,3%. Inversamente, a despesa do Governo cresceu 1,1%, na altura, ao passo que o volume de investimento aumentou 1,8%.

Recentemente, uma equipa de técnicos especialistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) esteve em Macau para realizar uma análise à situação financeira e macroeconómica da RAEM. Nas conclusões preliminares, o grupo sugeriu precisamente “um reforço adicional da despesa orçamental”, bem como “reformas e investimentos contínuos”.

No cômputo geral deste ano, a economia da RAEM deverá crescer 3,3%, de acordo com o FMI, acima das previsões de Abril, que apontavam para um crescimento de 3%. A médio prazo, a estimativa é de que o crescimento da economia da RAEM abrande “ainda mais, para 3%, em linha com o abrandamento previsto no crescimento da China Continental e da RAEHK”.

No ano passado, o PIB da RAEM fixou-se em 418 mil milhões de patacas, assinalando um crescimento anual de 4,7%, acima das previsões do FMI, que tinha antecipado um aumento de 2,6%.

 

Importações cresceram quase 25% nos primeiros seis meses

O valor das mercadorias importadas por Macau aumentou 24,6% para 74,33 mil milhões de patacas no primeiro semestre de 2026, em termos anuais, enquanto as exportações subiram 24% para 8,22 mil milhões, incluindo 7,40 mil milhões em reexportações (+25,2%) e 819 milhões em exportações domésticas (+14,8%), informou a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). O valor total do comércio externo de mercadorias atingiu assim S82,55 mil milhões (+24,6%) entre Janeiro e Junho, assinalando um défice na balança comercial de 66,12 mil milhões. Analisando por mercadorias, importaram-se 46,95 mil milhões de Patacas de bens de consumo, registando-se um crescimento homólogo de 7,0%. Destaca-se que o valor importado de joalharia em ouro (8,11 mil milhões de Patacas) cresceu 49,2%, porém, o de alimentos e bebidas (10,26 mil milhões de Patacas) desceu 8,3%. No capítulo das importações, sobressaiu o acréscimo de 49,2% na joalharia em ouro (8,11 milhões de patacas), porém o de alimentos e bebidas desceu 8,3% (10,26 milhões). Quanto aos países ou territórios de origem, os valores importados de mercadorias produzidas no Interior da China (30,36 mil milhões), na RAEHK (5,26 mil milhões) e na União Europeia (17,98 mil milhões) no aumentaram 70,5%, 61,0% e 0,7%, respectivamente, em termos anuais.