As opiniões sobre o reconhecimento mútuo de cartas de condução entre Macau e o Continente chinês dividiram-se entre os cinco deputados que participaram no “Fórum Macau”. Para o director da DSAT, a medida não deverá motivar um aumento de condutores chineses no território. Segundo Lam Hin San, as autoridades também têm um mecanismo para combater os condutores ilegais
Rima Cui
A proposta do Governo sobre o duplo reconhecimento das cartas de condução entre Macau e o Continente chinês está a provocar controvérsia, com muitas pessoas a mostrarem-se preocupadas com um acréscimo da pressão rodoviária. Apesar disso, o director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) salientou que, mesmo que a medida seja implementada, não irá traduzir-se num grande número de residentes do Continente a conduzir no território. “As autoridades locais têm acompanhado as experiências da implementação de 13 anos de reconhecimento mútuo de cartas de condução em Hong Kong, o que não causou um aumento evidente na ocorrência de acidentes”, disse.
Tendo em conta ainda as “melhorias” registadas nos últimos anos no número de acidentes e vítimas mortais, Lam Hin San acredita que aquela medida “não irá motivar uma subida grande” na sinistralidade.
Segundo o director da DSAT, que falava à margem do Festival de Segurança Rodoviária, realizado no Tap Seac, mais de 6.000 residentes fizeram exames de condução no Continente este ano, prevendo-se um aumento de cerca de 1.000 em 2018.
Na sua perspectiva, o reconhecimento mútuo de cartas irá beneficiar os residentes na gestão de negócios, trabalho e visitas ao Continente. “Vai, sobretudo, beneficiar a integração dos jovens no desenvolvimento da Grande Baía”, realçou.
Já a posição do sector dos transportes difere, surgindo alertas quanto à possibilidade de aumento no número de condutores ilegais. De acordo com o jornal “Ou Mun”, Lam Hin San garantiu que “o Governo tem um mecanismo de combate rigoroso contra os condutores ilegais”.
Entre Janeiro e Setembro deste ano, o Departamento de Trânsito detectou quase 70 casos de condutores ilegais e, entre 300 acidentes rodoviários investigados no mesmo período, apenas menos de 10 envolveram condutores do Continente, indicou Vong Vai Hong. O chefe do Departamento de Trânsito assegurou ainda que o reconhecimento mútuo de cartas de condução não vai dificultar o combate a este tipo de infracções.
Por outro lado, a directora dos Serviços de Turismo (DST) mostrou-se também favorável à medida, referindo que “corresponde à tendência geral e à evolução do sector do turismo”.
Para Maria Helena de Senna Fernandes, quando o turismo atingir uma fase de “maturidade”, os turistas podem recorrer a diferentes formas para visitar o destino. Por exemplo, tal como muitos turistas das RAE preferem passear no Japão de carro, a medida na RAEM pode ajudar os visitantes do Continente a descobrir sítios remotos da cidade. Segundo a directora da DST, a longo prazo isso contribuirá para aprofundar o desenvolvimento do sector.
Deputados divididos
A medida foi amplamente discutida no programa “Fórum Macau” da rádio em língua chinesa, com cinco deputados eleitos pela via directa a não chegarem a consenso. Para Si Ka Lon, o Governo deve avançar com esse plano por responder à tendência geral do aprofundamento da cooperação entre Macau e a província de Guangdong, além de facilitar aos residentes a obtenção da carta de condução do Continente. Mak Soi Kun também defendeu a implementação do reconhecimento mútuo, frisando que “Macau não deve cortar os dedos dos pés só para não ser atacado por insectos no chão”.
Em contrapartida, Ho Ion Sang entende que a medida não reflecte uma necessidade urgente e até pode “aumentar a pressão nas estradas”. O deputado exortou o Governo a definir antes como “prioritária a melhoria do sistema de tráfego”.
Por outro lado, Ng Kuok Cheong criticou o reconhecimento das cartas, argumentando que irá agravar o fenómeno dos condutores ilegais. “A cooperação na Grande Baía devia servir para aumentar as vantagens e compensar as desvantagens reflectidas em regiões diferentes, mas não para tornar colocar todas as cidades no mesmo padrão”, sublinhou.
Por sua vez, Leong Sun Iok considera que a medida vai proporcionar uma expansão turística mas também elevar o “stress” nas estradas próximas de pontos turísticos. Além disso, o deputado acredita que o exame escrito é necessário para evitar uma subida nos acidentes rodoviários.



