A descoberta de substâncias desconhecidas sólidas e de cor preta levou as autoridades a afixar avisos para que os cidadãos não entrem nos areais de Hac-Sá e e Cheoc Van. Pelo menos para já, os Serviços para os Assuntos Marítimos e de Água afastam a possibilidade de se tratar de poluição por combustíveis fósseis
Viviana Chan
A Direcção dos Serviços para os Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) confirmou ter encontrado substâncias sólidas da cor preta na Praia de Hac-Sá, mas negou que tal esteja relacionado com sinais de poluição por combustíveis fósseis.
À TRIBUNA DE MACAU, o porta-voz da DSAMA admitiu que ainda não foi possível confirmar o tipo de substâncias sólidas detectadas tanto na areia como no mar em Hac-Sá, e que terão sido levadas para o areal pela ondulação. Na praia de Cheoc Van também foram detectados resíduos, sendo que funcionários da DSAMA já procederam à respectiva limpeza.
O organismo garantiu ainda que já encarregou a Companhia de Sistemas de Resíduos de proceder a novas limpezas, mas os trabalhos vão demorar alguns dias.
Na tarde de ontem, o organismo colocou avisos em ambas as praias para as pessoas não entrarem no areal.
Cidadão denunciou o problema nas redes sociais
Além disso, notificou os Serviços de Protecção Ambiental e o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais para que seja efectuada uma inspecção “in loco” e recolhidas amostras. A DSAMA assegura que vai continuar a acompanhar o assunto e, caso seja verificada alguma anormalidade, esta será tratada imediatamente.
O material não identificado continuou a dar à costa durante o dia. Um cibernauta partilhou duas fotografias nas redes sociais, dizendo que receava tratar-se de poluição de combustíveis fósseis. Além disso, reclamou pelo facto de, nessa altura, as autoridades ainda não terem emitido avisos sobre a situação. Frisando que foi preciso lavar os pés do filho com um detergente muito forte, e sentiu dificuldades na limpeza, apelou ainda às pessoas não irem à praia, advertindo que brincar no mar é como “tomar banho de gasolina”.
A DSAMA recebeu ainda uma denúncia de outro caso de alegada poluição no mar, em frente à zona da Pérola Oriental na Areia Preta. Após averiguação, o organismo confirmou que o barco em causa estava a trabalhar numa obra de demolição de fundações, estando a dragar areias sujas no fundo do mar, pelo que a água no rastro da embarcação era preta, semelhante a manchas de poluição. A DSAMA assegurou a este jornal não ter detectado nenhuma descarga ilegal.
Também na manhã de ontem, circulava na internet um vídeo mostrando o que parecia ser um barco a descarregar substâncias poluentes no Porto Interior. Em reacção, a mesma Direcção de Serviços explicou à TRIBUNA DE MACAU que a sua frota “procede diariamente à fiscalização no mar, sendo o mar do Porto Interior a zona com mais frequentemente fiscalizada”.
Ontem de manhã e de tarde, a DSAMA enviou barcos para averiguar a situação mas “não detectou combustíveis” na zona do Porto Interior.
Relativamente ao vídeo, indicou que o rastro “negro e longo” teve origem na fuga de lamas de uma draga, não se verificando poluentes.



