A Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais vai organizar cursos de formação remunerados para formar pessoas para os sectores da hotelaria e restauração, sobretudo cozinheiros, tanto de gastronomia ocidental como oriental

 

Desde que Macau foi integrado na Rede de Cidades Criativas da UNESCO no ramo da Gastronomia, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL) tem feitos estudos sobre esta área, chegando à conclusão que há carência de cozinheiros. “Por isso, em 2018 [a DSAL] vai organizar cursos de formação remunerados para pessoas que queiram integrar o sector da hotelaria e restauração, sobretudo cozinheiros, tanto para gastronomia oriental como ocidental”, indicou na sexta-feira o director da DSAL.

Wong Chi Hong assegura que também haverá a possibilidade de adquirir certificações neste âmbito. “Para o efeito, convidámos personalidades reconhecidas desta área para realizar as sessões de formação e haverá visitas guiadas a cozinhas de alguns restaurantes. Depois vamos perguntar às pessoas se estão interessadas em trabalhar nesta área”, explicou.

Apesar de o objectivo estar já bem definido, tudo vai acontecer por fases. “Primeiro será feita uma apresentação junto da sociedade. Vamos realizar palestras, chamar alguns jovens com intenção de trabalhar na área e, depois, vamos levá-los a visitar as cozinhas dos grandes hotéis para perceberem o seu funcionamento e convidar entidades patronais para uma eventual colocação profissional”. “Depois de contratarem as pessoas interessadas, as empresas realizarão acções de formação mais específica”, destacou o mesmo responsável.

A explicação surgiu em resposta a Chan Chak Mo que questionou a interrupção de uma anterior acção de formação, também organizada pela DSAL, pretendendo ainda conhecer as medidas que serão lançadas para facilitar a contratação de mão-de-obra, uma vez que os salários são baixos.

O Secretário para a Economia e Finanças admitiu que tal é verdade e que isso tem a ver com as próprias condições das empresas no sector. “Se tiverem possibilidade de desenvolver mais o negócio, as empresas poderão proporcionar melhores condições e um salário mais elevado”, defendeu.

Além disso, Lionel Leong partilhou uma história exemplificativa de perseverança que poderá levar a um salário mais elevado ao longo do tempo. “Há uma senhora que trabalha num restaurante de um hotel e que fala fluentemente japonês. É de Macau, foi ao Japão e estudou vários anos de japonês. Antes trabalhava na área dos recursos humanos mas disseram-lhe que a restauração era um sector que lhe poderia dar boas opções de carreira profissional e os pais concordaram. Ela ficou nessa área e, no início, o salário era o mesmo que auferia na área dos recursos humanos, mas depois passou a receber um melhor ordenado”, frisou o Secretário.