Cerca de uma centena de proprietários de cavalos deveriam receber 100 milhões de patacas de indemnização da parte do Jockey Club, consideram representantes dos donos. A menos de um mês de encerrar portas, a forma como a Companhia de Corridas de Cavalos tem lidado com o assunto continua a deixar descontentes os proprietários dos animais, que pedem a intervenção do Executivo e fazem agora uma série de promessas, caso recebam uma “indemnização razoável”. Pedem ainda à Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos que investigue os prejuízos da Companhia

 

Catarina Pereira

 

Falta pouco mais de um mês para que o Macau Jockey Club encerre portas, a 1 de Abril – uma decisão tornada pública no final de Janeiro -, e a polémica continua instalada. Descontentes com a postura da empresa em relação a várias questões, nomeadamente às compensações e à forma de tratamento dos animais, os donos dos cavalos exigem uma “indemnização razoável” e pedem a intervenção do Governo no processo de negociação.

Querem também, segundo um comunicado enviado ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, uma investigação às contas do Jockey, para “dissipar as dúvidas” da sociedade. E fazem uma “promessa aberta”, garantindo que, se receberem o dinheiro devido, irão ajudar trabalhadores afectados e financiar a construção de uma nova Escola de Equitação.

No sábado, 10 donos de cavalos realizaram uma conferência de imprensa, pedindo ao Governo para intervir no caso, organizando negociações sobre as indemnizações, antes de 15 de Março. Segundo um dos representantes, citado pela imprensa chinesa, cerca de 190 cavalos estão a competir actualmente, envolvendo entre 100 e 150 proprietários.

Cerca de uma centena de donos de cavalos estão “insatisfeitos”. Aceitam o plano de compensação pelo transporte dos animais, mas consideram que o valor de 200 mil patacas, que foi fixado, não compensa os prejuízos, até porque os cavalos têm diferentes níveis, idades e resultados nas corridas. Por isso, têm também valores distintos.

Neste sentido, instaram a Companhia de Corridas de Cavalos a revelar os detalhes do plano de compensação, esperando que atribua os “devidos valores de indemnização”. Questionado sobre o valor que consideraria justo, explicou que, de acordo com os padrões do Jockey Club de Hong Kong, cada cavalo que compete nas corridas de primeira categoria vale 10 milhões de dólares de Hong Kong.

Segundo o mesmo representante, cada proprietário investiu já centenas de milhares de patacas, num montante superior a 100 milhões. Apesar de os cavalos de Macau não terem o mesmo nível, apontou que “cada um vale pelo menos um milhão de patacas”. Assim, indicou que os cerca de 100 donos deveriam receber, no total, 100 milhões de patacas.

No comunicado enviado a este jornal, adiantam que esta semana vão marcar um encontro com a chefe do Gabinete do Chefe do Executivo, Hoi Lai Fong, para que esta dê “instruções construtivas” sobre o assunto. Por outro lado, deixam uma série de pedidos e promessas.

Recordando que o Jockey Club afirmou que acumulou prejuízos no valor de 2,5 mil milhões de patacas, dizem esperar que “a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) possa investigar esta situação e dissipar as dúvidas do público”. Por outro lado, pretendem que as autoridades expliquem se os edifícios no espaço do Jockey também serão devolvidos ao Governo, a par dos terrenos.

“Queremos que os representantes da DICJ, do Instituto para os Assuntos Municipais e da ANIMA – Sociedade Protectora dos Animais de Macau avaliem de forma cautelosa a forma de transportar os cavalos para fora de Macau, bem como inspeccionem as centenas de gatos vadios e pássaros no espaço do Jockey Club”, pode ler-se.

 

Jogos Nacionais e nova escola

Na nota de imprensa, os donos de cavalos disponibilizam-se também para cooperar com o Governo, nomeadamente na preparação da modalidade do desporto equestre, caso haja, nos Jogos Nacionais de 2025. Mais: “Estamos disponíveis para financiar a construção de uma nova Escola de Equitação”, referem.

Como a decisão do Jockey Club vai “afectar a sobrevivência e subsistência de mais de 500 trabalhadores da empresa”, deixam outra “promessa”. “Se obtivermos uma indemnização razoável, prometemos uma ajuda aos trabalhadores feridos ou que sofram com dificuldades financeiras graves (…) e uma despesa de despedimento para os treinadores de cavalos, jockeys e pessoal que trabalha nas residências dos cavalos”.

No final de Janeiro, os proprietários solicitaram detalhes ao Jockey Club sobre o encerramento e as indemnizações. Depois, enviaram uma carta pedindo uma compensação tendo em conta o valor de cada cavalo, porém, a 21 de Fevereiro, a empresa “respondeu aos donos que não vão conseguir dar uma compensação extra, utilizando razões que não convencem, e pedindo desculpas de forma insincera”.

Segundo os proprietários, nesta última resposta, o Jockey Club “até satirizou os donos dos cavalos por terem feito um ‘investimento cego e errado’, o que resultou nos prejuízos dos seus negócios”. Finalmente, no dia 26, os donos submeteram uma petição ao Chefe do Executivo, pedindo a intervenção do Governo.