Além das medidas de apoio económico, o director dos “Kaifong” considera ser preciso o Governo dar também apoio psicológico aos cidadãos, já que os problemas emocionais e “cansaço” atingiram pessoas de todos os contextos. À TRIBUNA DE MACAU, Chan Ka Leong sugeriu que o Governo reserve profissionais do IAS e da DSEDJ para desenvolverem exclusivamente os trabalhos de aconselhamento emocional, e que colabore mais com as associações para dar apoios neste domínio. Por outro lado, o deputado Lei Chan U mostrou-se preocupado com o risco de colapso do sistema médico local, pedindo que seja ajustado o número dos profissionais de saúde conforme a evolução epidémica e, caso seja preciso, solicitar ajuda junto do Governo Central

Rima Cui
Chan Ka Leong, director da União Geral das Associações dos Moradores (“Kaifong”) de Macau, manifestou preocupação com a saúde mental da população. Para este líder associativo, além das medidas de apoio económico, o Governo deve canalizar também apoios psicológicos aos cidadãos. Até porque com o prolongamento e agravamento da pandemia, os problemas psicológicos “já se tornam um fenómeno geral que atingiu pessoas de todos os contextos”.
Em declarações ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, Chan Ka Leong alertou para um “sentimento de cansaço derivado do combate epidémico” que tem pairado entre a população. “Por um lado, os cidadãos têm sentido cada vez mais medo da pandemia. Por outro, a falta de paciência tem vindo a crescer entre as pessoas. Observámos isto ao longo dos trabalhos da linha da frente”, salientou.
Neste sentido, o director dos “Kaifong” apelou ao Governo para, além de destacar pessoal para a realização dos testes e o envio de bens, reservar recursos humanos profissionais do Instituto de Acção Social (IAS) e da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) para se dedicarem exclusivamente ao desenvolvimento dos trabalhos de aconselhamento emocional.
“Por exemplo, se houver condições, o IAS pode abrir mais linhas telefónicas e o pessoal do organismo pode ligar directamente aos cidadãos, em vez de estar à espera, de forma passiva, pelos pedidos de ajuda. Deve contactar especialmente pessoas com mais probabilidades de serem afectadas por problemas emocionais, dando-lhes conforto”, sugeriu.
Chak Ka Leong propôs ainda que nas conferências de imprensa diárias sobre a pandemia os representantes do Governo apresentem ao público as linhas telefónicas ou outros canais para os cidadãos solicitarem apoio psicológico.
Tendo em conta que os profissionais de saúde e outros funcionários públicos têm enfrentado um grande nível de stress, Chan Ka Leong defendeu que a solução pode passar pelo reforço da cooperação entre Governo e associações, coordenando estas últimas para que participem nos trabalhos de apoio e aconselhamento psicológico. “Já estamos a fazer isto, via chamada ou online, aos membros das nossas associações para conhecer as situações emocionais das pessoas em geral. As conversas telefónicas ou online têm conseguido surtir efeito ao nível do alívio emocional. Acho que cada associação deve fazer um pouco mais”, vincou.
Para o director dos “Kaifong”, apesar de os problemas emocionais já terem atingido muitas pessoas e também afectarem muitos homens, é preciso dar prioridade aos idosos, crianças e mulheres.
Por outro lado, o também subdirector da Escola dos Moradores apelou à DSEDJ para não apenas ponderar os planos de ensino e a questão da ascensão ou retenção escolar, mas começar também a tomar medidas de apoio aos alunos. “A DSEDJ deve comunicar de forma periódica com as escolas, que podem encarregar os professores de comunicar periodicamente com os estudantes através de telefonemas ou do WeChat, para poder prestar apoio, se descobrirem dificuldades entre os alunos”, sublinhou.
Evitar “colapso” no sistema médico
Por sua vez, Lei Chan U frisou receios noutra vertente, alertando que, com o aumento contínuo do número das pessoas infectadas pela covid-19, a pressão da pandemia tem vindo a crescer no sistema médico local. O deputado citou queixas de profissionais de saúde da linha da frente devido à falta de pessoal e de equipamentos médicos, tendo em conta o actual panorama. Segundo descreveu, alguns profissionais de saúde têm trabalhado muito mais do que oito horas diárias.
Alertando que a pressão mental e no trabalho tem aumentado fortemente entre os profissionais de saúde, o deputado sugeriu ao Governo que avalie constantemente a carga e a capacidade de suporte do sistema médico, ajustando de forma adequada o número do pessoal de saúde, conforme a evolução da pandemia e as modificações do número dos pacientes confirmados.
Se for necessário, também pode ponderar pedir apoio ao Governo Central, salientou Lei Chan U, defendendo que “é preciso atenuar a pressão sentida pelos profissionais de saúdes, garantir que têm um tempo de descanso razoável e assegurar com prioridade o fornecimento dos materiais de prevenção epidémica”.
Citado pelo jornal “Ou Mun”, o também subdirector da Federação das Associações dos Operários notou que, no Centro Clínico de Saúde Pública no Alto de Coloane, muitos pacientes são idosos que necessitam de cuidados completos, o que tem agravado a pressão. Dispondo de 60 enfermarias de isolamento com pressão negativa e 60 camas hospitalares no Centro Clínico, Lei Chan U está preocupado com a eventualidade da capacidade máxima ser ultrapassada, uma vez que já está a acolher 105 casos.
Sublinhando que antes do surto da pandemia os recursos humanos de Macau na área de saúde já não conseguiam seguir o ritmo de crescimento populacional, Lei Chan U apontou que a pandemia agravou esse desequilíbrio. Na sua perspectiva, a longo prazo, as autoridades devem continuar a investir no sistema médico e aumentar o número do pessoal de saúde, sobretudo médicos especializados e enfermeiros, por forma a fortalecer as capacidades do sistema médico local de reagir aos surtos epidémicos em grande escala.
Associação de Cloee Chao quer lançamento de “subsídio especial”
Numa carta dirigida ao Governo a Associação dos Direitos dos Trabalhadores de Jogo pediu um “subsídio especial de apoio” no valor de 10 mil patacas para todos os residentes. Na missiva divulgada ontem, a associação liderada por Cloee Chao apela ainda ao lançamento de medidas de apoio económico que beneficiem “todos os trabalhadores locais”. Em específico, sugeriu o aumento do tecto máximo dos rendimentos sujeitos ao imposto profissional, referentes aos anos de 2020 e de 2021, para 1,2 milhões de patacas. Por outro lado, Cloee Chao revelou que, com o prolongamento da pandemia, há operadoras de jogo que estenderam a medida especial segundo a qual se o trabalhador folgar em sete dias consecutivos pode gozar de um dia extra de férias. Em concreto, a data foi adiada do dia 10 para 15 de Julho para os trabalhadores dos casinos.



