Fernando Alexandre garantiu ontem que o Governo português fará “tudo para manter a estabilidade” da Escola Portuguesa de Macau, à margem de uma visita à instituição, com a mudança de direcção da EPM em vista. Aos jornalistas, o Ministro da Educação, Ciência e Inovação da República Portuguesa confirmou a saída de Acácio de Brito e afirmou que o director aceitou a transferência para a Escola Portuguesa de Luanda. O governante também confirmou a vontade de que Jorge Neto Valente continue à frente da Fundação EPM. Sobre o financiamento da EPM, Fernando Alexandre esclareceu que a verba para este ano lectivo chegará até Agosto

PEDRO MILHEIRÃO

O Governo de Portugal fará “tudo para manter a estabilidade deste excelente projecto educativo”, assegurou ontem Fernando Alexandre, referindo-se à Escola de Portuguesa de Macau (EPM). À margem de uma visita à EPM e de uma reunião com o director da escola, Acácio de Brito, o Ministro da Educação, Ciência e Inovação reiterou que as autoridades portuguesas farão “tudo o que for possível para que a transição seja o mais suave para o projecto educativo”, na sequência da transferência de Acácio de Brito para a Escola Portuguesa de Luanda.

Aos jornalistas, Fernando Alexandre garantiu que “a decisão está tomada” e não será revertida. Questionado sobre o desempenho do actual director da EPM e se a decisão representaria uma promoção, o governante português explicou que “o professor Acácio de Brito tem um conjunto de características e, basicamente, o que o Governo está a fazer é essa avaliação”. “E a decisão não tem a ver com promoção nem despromoção”, esclareceu o responsável, tendo acrescentado ainda que o actual director se mostrou disponível para ir para Luanda.

Recorde-se que na semana passada, a propósito das celebrações do 10 de Junho na RAEM, o governante anunciou uma mudança na direcção da EPM, tendo prometido que seria encontrado um substituto “até ao início do próximo ano lectivo, em Setembro”.

“As escolas portuguesas no estrangeiro são todas importantes”, sublinhou Fernando Alexandre, sendo que também reconheceu que “são todas diferentes”. “As escolas portuguesas no estrangeiro são projectos muito ricos, que o Estado português acarinha e que considera muito importantes”, disse. “É o fomento da língua portuguesa, que une povos muito diferentes, mas que têm sempre em comum essa dimensão da língua que não é apenas um instrumento de comunicação. É uma partilha de identidade, de uma cultura, que resulta de séculos de história”, elaborou.

Acerca do papel da EPM, o Ministro reforçou que a instituição “é um projecto importantíssimo para a língua portuguesa, para a cultura portuguesa, para a ligação de Portugal ao território de Macau, mas também a toda esta região”. “Obviamente, este projecto é muito próprio e foi muito interessante ver, de facto, na mesma sala, alunos muito diversos e a falarem simultaneamente [vários idiomas]”, continuou. “Entrei numa sala em que estavam a aprender inglês e o professor falava português, mandarim, inglês e, de facto, essa diversidade cultural é muito rica e está muito bem representada aqui na EPM”, rematou.

Sobre o próximo director da EPM, Fernando Alexandre não adiantou qualquer nome e remeteu a decisão para o Conselho de Administração, que se “articulará com o Governo português”. “Depois, obviamente, há um conjunto de autorizações que são administrativas e que ultrapassam o Governo português e que dependem do Executivo da RAEM”, ressalvou. Sobre a possível nomeação de João Santos Gonçalves, o governante asseverou que ficará à espera da próxima proposta do Conselho.

Relativamente à continuidade de Jorge Neto Valente à frente da Fundação da EPM, Fernando Alexandre admitiu que “gostaria que ele continuasse”, reconhecendo, no entanto, que se trata de “uma decisão do Doutor Neto Valente”. “Acho que fizemos um percurso interessante aqui, nos últimos três anos”, observou antes de referir que voltará a falar com o advogado em Lisboa.

Em relação ao financiamento da EPM, o Ministro garantiu que “não há atraso. Penso que o limite era Agosto”. “Pelo menos está autorizado e deverá chegar antes do prazo”. “Há agora, nos últimos dois anos, não houve atrasos. E houve um reforço significativo da verba”, apontou. “No ano passado fizemos um reforço significativo. E mantivemos o valor do ano passado”, explicou.

 

Papel do ensino superior da RAEM “muito importante” para o português

Fernando Alexandre também marcou presença no 35º Encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), co-organizado pela Universidade de Macau (UM), pela Universidade Politécnica de Macau (UPM) e pela Universidade de Turismo (UTM) e que decorre até amanhã. O governante considerou a ocasião “muito importante”, uma vez que estavam “cerca de 150 universidades de língua portuguesa nesse encontro”.

Para o responsável, a AULP “é uma associação muito importante porque liga universidades de muitas geografias, da Europa, da América do Sul, da África, da Ásia. É uma associação que tem já 35 anos, tem feito um trabalho muito importante de cooperação académica e essa cooperação será cada vez mais importante, seja ao nível da mobilidade de estudantes, da mobilidade de investigadores, de colaboração em termos científicos”, argumentou.

“O facto de ter sido em Macau é especial”, sublinhou tendo também reconhecido o papel impulsionador de Rui Martins, vice-reitor da UM. “Tive a oportunidade de fazer uma visita à UM, que ainda não tinha visitado, de conhecer os projectos para o futuro, de expansão, tive a oportunidade de falar com o senhor reitor e de ser acompanhado pelo professor Rui Martins nessa visita”, relatou.

“É uma universidade que em poucas décadas se afirmou a nível internacional, em algumas áreas como a melhor ou das melhores do mundo. E por isso é, de facto, um projecto de grande sucesso. E obviamente há muitas ligações com as instituições de ensino superior portuguesas e que nós, obviamente, temos todo o interesse em aprofundar e alargar”, sublinhou.