Um inquérito realizado pela FAOM concluiu que 40% dos residentes candidatos a emprego encontram dificuldades devido à oferta insuficiente de postos de trabalho e às limitadas opções de escolha. A pesquisa indica também que quase 60% manifestaram o desejo de se concentrarem no desenvolvimento local em Macau, enquanto apenas 10% considerariam a possibilidade de trabalhar em Hengqin ou nas cidades da Grande Baía. A investigação sugere que se mantenha a prioridade no emprego para os residentes locais

 

VÍTOR REBELO

 

A Federação das Associações de Operários (FAOM) inquiriu mais de 1.200 residentes sobre as necessidades de emprego, tendo 40% afirmado que a principal dificuldade no processo de procura se deve à oferta insuficiente de postos de trabalho e às limitadas opções de escolha. O inquérito indica que, em segundo lugar, está a falta de canais de informação sobre oportunidades de emprego.

Noutras conclusões da pesquisa, quase 60% das pessoas questionadas manifestaram o desejo de se concentrarem no desenvolvimento local em Macau, enquanto apenas 10% afirmaram que considerariam activamente a possibilidade de trabalhar ou desenvolver a sua carreira em Hengqin ou nas cidades da Grande Baía.

No balanço do inquérito, a equipa de investigação da FAOM recomenda que se mantenha a prioridade no emprego para os residentes locais, se crie um sistema de monitorização dinâmica dos dados relativos aos trabalhadores estrangeiros, se intensifique o combate ao trabalho ilegal e se estabeleça um mecanismo de apoio aos profissionais que permanecem no sector a longo prazo.

Por outro lado, tendo por base a actual “Plataforma Integrada de Formação Profissional”, sugere que se “integre ainda mais a orientação para o emprego, se optimize o sistema de serviços e se reforce a formação profissional, introduzindo funcionalidades de assistência por inteligência artificial, aperfeiçoando o mecanismo de aconselhamento profissional e melhorando as competências profissionais e a competitividade laboral dos residentes”.

Os detalhes das respostas obtidas no questionário feito aos residentes entre Janeiro e início de Agosto deste ano foram apresentados em conferência de imprensa, na qual Leong Sun Iok, vice-presidente executivo da FAOM e também deputado na Assembleia Legislativa, revelou que a maioria dos inquiridos procura emprego principalmente através de sites privados locais ou de bancos de emprego, bem como da plataforma oficial de serviços de emprego de Macau.

No processo, “as principais dificuldades encontradas foram a oferta insuficiente de postos de trabalho e a escassez de opções de carreira, seguidas pela falta de canais de informação sobre oportunidades de emprego e pela incompatibilidade entre as competências pessoais e os requisitos dos postos”, disse o dirigente da FAOM.

Salientou, por outro lado, que a maioria dos residentes desempregados manifesta vontade de trabalhar, pelo que a pesquisa sugere a adopção, no futuro, de “medidas de apoio ao emprego mais proactivas e precisas, para ajudar os candidatos a integrar-se com sucesso no mercado de trabalho”.

No que diz respeito às considerações dos inquiridos quanto à localização do seu desenvolvimento profissional, os resultados revelam que mais de 57% pretendem concentrar-se no desenvolvimento local em Macau e 23% indicaram que, embora tenham como base principal a RAEM, mantêm uma atitude aberta em relação à participação em projectos em Hengqin ou na Grande Baía.

Os responsáveis pelo inquérito consideram que o trabalho inter-regional “continua a enfrentar desafios como a adaptação ao estilo de vida e a instalação familiar, e questões políticas como a certificação de qualificações profissionais”. “As diferenças fiscais e a articulação dos sistemas de segurança social também necessitam de ser promovidas de forma coordenada entre as duas regiões”, observam.

Ademais, “deve ser prestado apoio específico a cada faixa etária: reforçar a exploração de carreiras e os estágios para os jovens; oferecer aconselhamento de reorientação profissional e requalificação profissional para adultos de meia idade; e promover o reemprego flexível para a terceira idade”.

Simultaneamente, salienta a equipa de investigadores, deve ser revista a actual “Regulamentação sobre Apoio ao Emprego e Formação” e a “Regulamentação sobre Fundos Especiais para a Formação Profissional”, estudando-se a “inclusão de grupos, como pessoas de meia idade e idosos, bem como cuidadores que regressam ao mercado de trabalho, nas medidas de protecção”.

Ouras sugestões apontam para a promoção da colaboração entre instituições de ensino superior, empresas e associações, “criando cursos de formação sob encomenda em áreas emergentes, como as energias verdes e as aplicações de inteligência artificial”.

Além disso, o inquérito destaca a necessidade de se estabelecer um mecanismo de monitorização dinâmica do impacto da inteligência artificial nos postos de trabalho. Também através de outras medidas, como benefícios fiscais, a pesquisa da FAOM recomenda que as empresas sejam incentivadas a adoptar “tecnologias capacitadoras em vez de substitutivas, incluindo a garantia de postos de trabalho para os trabalhadores locais nos critérios de aprovação”.

Na vertente do emprego transfronteiriço, Leong Sun Iok considerou que se deve simplificar a declaração fiscal, reforçar a informação sobre a articulação dos regimes de segurança social, criar uma plataforma de correspondência de certificações profissionais e estabelecer um “Centro de Serviços de Emprego Transfronteiriço” de balcão único.