A PJ deteve um dos seus investigadores criminais por ter tentado aceder a informação classificada relacionada com um grupo criminoso de usura em troca de benefícios. Com o caso já entregue ao Ministério Público, o agente foi suspenso pelo Secretário para a Segurança e é alvo de um processo disciplinar
Liane Ferreira
Um agente da Polícia Judiciária de 40 anos de idade e 12 de serviço foi detido por suspeitas de ter tentado ajudar um grupo criminoso a escapar a uma investigação em curso em troca de interesses.
De acordo com o “Ou Mun Tin Toi”, as autoridades foram alertadas em Janeiro deste ano e, durante as investigações, através do mecanismo de supervisão interna, perceberam que alguém tentou aceder ao sistema informático da polícia de forma ilícita. As tentativas de acesso eram relativas ao progresso de um caso de usura.
O detido era investigador criminal no Departamento de Investigação de Crimes relacionados com o Jogo e terá admitido as acusações, mas recusou a divulgar os motivos do crime.
Segundo a página do gabinete do Secretário para a Segurança, o investigador é suspeito de ter examinado um processo para se inteirar, ilegalmente, das informações e andamento da investigação. O objectivo seria revelar depois esses dados à rede criminosa de usura sob investigação para que esta pudesse fugir da investigação e da responsabilidade criminal recebendo interesses ilegais em contrapartida.
Na passada quarta-feira, foi detido pela PJ e acusado de “favorecimento pessoal por funcionário”, “acesso ilegítimo a sistema informático” e “obtenção ilegítima de dados informáticos”, tendo sido entregue ao Ministério Público. O juiz do Juízo de Instrução Criminal determinou a aplicação das medidas de coacção de proibição de ausência, obrigação de apresentação periódica mensal e o termo de identidade e residência.
A PJ lamentou o sucedido, reiterando estar atenta a situações do género. “Sempre que se verifiquem actos ilegais, disciplinares ou actos que prejudicam a imagem ou dignidade da PJ, os mesmos são tratados severamente de acordo com a Lei e sem qualquer tolerância”, garantiu.
Além disso, foi instaurado um processo disciplinar, que se encontra em fase de instrução, e no sábado, o Secretário para a Segurança aplicou-lhe a suspensão preventiva de funções.
O Secretário Wong Sio Chak afirmou ontem que está a ser investigado a forma como os dados alegadamente divulgados pelo agente poderão afectar o caso de usura. Por outro lado, indicou que a descoberta do caso mostra que o mecanismo de supervisão interna desempenha um bom papel.
A direcção da PJ comunicou a situação aos chefes das subunidades e exigiu a supervisão do trabalho dos agentes, bem como que os advirtam da obrigação de cumprir a lei.



