Empresas suspeitas de terem apresentado declarações falsas relacionadas com alegados prejuízos sofridos com a passagem do “Hato” vão ser levadas à Justiça, advertiram os Serviços de Economia, garantindo ter provas suficientes para encaminhar os processos para o Ministério Público. Actualmente, os apoios concedidos às vítimas do tufão ultrapassa os dois mil milhões de patacas

 

Viviana Chan

 

Quatro empresas terão declarado informações falsas no requerimento dos subsídios atribuídos pelo Governo para ajudar as pequenas e médias empresas (PME) a fazer face aos estragos causados pelo tufão “Hato”. A Direcção dos Serviços de Economia (DSE) disse ontem ter reunido informações suficientes para encaminhar os casos para o Ministério Público (MP).

De acordo com o “Ou Mun Tin Toi”, o director da DSE, Tai Kin Yip, salientou que os requerentes do referido subsídio têm de ser as PME afectadas pelo tufão. Num programa da rádio em língua chinesa, um ouvinte alertou as autoridades sobre a atribuição de subsídios, avisando que importa ter cuidado com os requerentes que se estão a aproveitar da situação para solicitar apoio sem necessitarem.

A vogal da Comissão de Apreciação Relativa ao Plano de Apoio a Pequenas e Médias Empresas, Chan Hio Wan assegurou que o organismo está atento à situação e a verificar a morada das empresas registadas. Insistindo que, tendo em conta a referida situação, a comissão é muito prudente na concessão dos subsídios, Chan esclareceu que o organismo envia normalmente pessoal para inspeccionar os estabelecimentos em causa e verificar se duas companhias usam, por exemplo, os mesmos equipamentos, bem como para calcular o valor dos estragos.

No final de Agosto, a DSE adoptou duas medidas de emergência para ajudar os residentes afectados pelo tufão, nomeadamente o subsídio de morte de 300 mil patacas para os familiares das vítimas e o apoio para as empresas. Este apoio passou de 30 mil patacas para cada empresa para 50 mil.

Os primeiros abonos começaram a ser entregues no início de Setembro e até agora foram atribuídos mais de dois mil milhões de patacas.

Referindo que algumas empresas sofreram perdas ou danos nos documentos durante o tufão, Tai Kin Ip salientou que o Governo compreende essa situação, pelo que chegou a acordo com a Associação de Bancos de Macau no sentido de serem avaliados os pedidos das empresas com base nos movimentos das contas bancárias.

Por outro lado, Chan Hio Wan adiantou que as inspecções “in loco” às lojas permitiram descortinar situações em que as empresas declararam perdas bem mais inferiores aos estragos reais. Recorrendo a um exemplo, disse que uma loja declarou perdas de 10 mil patacas, mas após a inspecção da comissão descobriu-se que os prejuízos reais ultrapassam 100 mil patacas.

Actualmente, a DSE está a realizar acções de formação com o objectivo das empresas conhecerem o uso de plataforma elevatória instalada nos estabelecimentos para elevar os produtos durante as cheias.