Telemóveis em riste para capturar os melhores momentos do Desfile Internacional de Macau e crianças aos ombros de familiares destacavam-se entre a multidão que assistiu ao arranque da parada na zona das Ruínas de São Paulo e do Leal Senado. A diversidade cultural do evento foi celebrada tanto pelo público como pelos participantes

 

Salomé Fernandes

 

Dos tons de amarelo torrado ao roxo, a diversidade visual dos fatos dos participantes no Desfile Internacional de Macau foi acompanhada de variedade cultural. Entre bandas filarmónicas e dança tradicional chinesa, passando pela capoeira, as actuações deste ano atraíram muitos visitantes. Munidos de telemóveis e câmaras fotográficas, os espectadores aglomeraram-se junto às grades de segurança para testemunhar as participações.

Catarina Peyroteo, membro do grupo dos amigos do Riquexó, participou pela segunda vez na parada. “Acho muito interessante porque conhecemos culturas de todo o mundo. Há pessoas que vêm a Macau só mesmo para esta data”, disse à TRIBUNA DE MACAU. Com uma motivação diferente encontrava-se Rebeca Gomes, estreante no desfile. Aceitou o desafio da comissão organizadora da viagem de finalistas da Escola Portuguesa de Macau e decidiu integrar o evento para ganhar apoios para a viagem.

Estátua viva forçada a movimento constante no desfile, Frans Vogel veio da Holanda. “É bom fazer o desfile porque é totalmente diferente”, disse o artista, caracterizando a atmosfera dos bastidores como “fantástica”. A energia do evento foi também um dos pontos que o grupo Trimfo destacou. “Este ano trazemos os nossos maravilhosos fatos e aptidões técnicas. É o nosso trabalho habitual e tentamos sempre melhorar”, disse a artista russa Alina.

As festividades foram também marcadas por mensagens mais fortes. Foi a terceira vez que os “PIA – Projectos de Intervenção Artística” participaram, desta vez com um projecto intitulado “oxigénio”. “A parada é uma parte do projecto, vamos também ter apresentações na Fortaleza no dia 19 e 20 de Janeiro. O oxigénio é sobre a ausência do mesmo e achámos que Macau era uma boa cidade para iniciar o projecto. Fala sobre a necessidade de termos um ar mais limpo”, disse Pedro Leal.

Para passar a mensagem, os membros usaram objectos a simbolizar estufas com árvores dentro a funcionar como botijas de oxigénio vivas. A criação iniciou-se cá e segue depois em digressão pela Europa com membros de uma associação local. “Penso que será a única forma que temos de sensibilizar a população para tentar alterar um pouco os hábitos e melhorar a sua própria qualidade de vida”, indicou o director artístico.

“Soubemos do festival e viemos ver. Este tipo de evento é muito bonito”, caracterizou Fabiola Apango. Veio com os amigos, de Espanha e do México, embora residam em Zhuhai. Conceição Duarte, que veio pela primeira vez a Macau e observado o desfile, ficou duas horas de pé “para não perder uma pitada”. “O ambiente não podia ser melhor, aqui há união entre todos. Não temos diferença se falamos Chinês, Cantonês ou Português. Isso é o melhor que pode acontecer. Estou muito feliz por estar cá”, notou.

Já Catarina Santos, que vive em Macau e já testemunhou o evento em edições anteriores, assistiu pela primeira vez a partir do Leal Senado. “Estou a gostar, é sempre animado e bom ver a cidade em festa”, comentou, acrescentando ser “interessante ver a variedade que existe em Macau em termos das associações e daquilo que elas promovem”.