Dos 157 casos de pedidos de apoio contra o vício do jogo em 2017, mais de 10% foram feitos por indivíduos desempregados, atingindo a mesma proporção dos “croupiers”. No ano passado houve menos pedidos por parte de indivíduos com distúrbio de grau “grave”, embora se tenha mantido a proporção de pessoas com nível “moderado”, indica um relatório do IAS. Metade dos casos envolve pessoas que jogam há 10 ou mais anos
Salomé Fernandes
Mais de 10% dos casos contemplados no relatório sumário do Sistema de Registo Central dos Indivíduos Afectados pela Problemática do Jogo de 2017 são referentes a pedidos de apoio apresentados por indivíduos desempregados.
Por outro lado, houve uma redução dos indivíduos com grau “grave” do distúrbio do vício do jogo no ano passado. O Instituto de Acção Social (IAS), indicava que em 2016 “mais de 40%” dos portadores apresentavam esse grau, enquanto em 2017 a proporção recuou para “mais de 30%”. No entanto, a percentagem de pessoas afectadas em grau moderado manteve-se acima dos 40%.
Esta avaliação é feita através do DSM-5, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Psiquiátrica Americana. A quinta edição foi adaptada para se referir ao vício do jogo em 2015, que é detectado através de factores como a necessidade de jogar com elevadas quantias de dinheiro para atingir o entusiasmo desejado, irritabilidade quando se joga menos ou deixa a prática, ou o recurso a mentiras para esconder a extensão do envolvimento no jogo. Este instrumento de avaliação teve maior alcance, com mais de 70% dos casos de pedidos de apoio a recorrerem ao DSM-5, enquanto no ano anterior eram apenas “mais de 60%” a fazê-lo.
De entre os jogos que correspondem a mais casos de pedidos de apoio, destaca-se o bacará. Neste grupo, emergiram ainda as lotarias desportivas que se juntaram às “slot-machines” e “cussec” (jogo do “Grande e Pequeno”).
Segundo o relatório, dos 157 casos de indivíduos afectados pelo vício do jogo em 2017, mais de 10% desempenhavam a função de “croupier”. Para além disso, cerca de 30% dos casos de pedidos de apoio envolveram indivíduos que trabalhavam por turnos, mantendo-se na mesma faixa o número de situações de indivíduos com salários acima das 17.500 patacas.
Cerca de 30% dos indivíduos não possuíam dívidas, mas daqueles que as contraíram cerca de 30% deviam quantias iguais ou superiores a 250 mil patacas.
A maioria dos pedidos de apoio abrange ao grupo etário dos “40 aos 49” anos, tendo o indivíduo mais novo 20 anos e o mais velho 73, correspondendo a média das idades a 44,2 anos. Isto indica um envelhecimento na faixa etária dos indivíduos que recorreram a apoio face a 2016, ano em que os pedidos advinham maioritariamente de pessoas entre os 30 e os 39 anos.
O perfil das pessoas afectadas por este distúrbio, manteve-se, de resto idêntico ao ano anterior, com os residentes da RAEM a representarem 80% das pessoas que pediram ajuda, sendo 60% homens. Mais de 50% dos casos de pedidos correspondiam a indivíduos casados, e a mesma percentagem possuía ensino secundário.
Cerca de 50% destas pessoas tinham um historial de jogo que atinge já pelo menos os 10 anos. E apesar da principal motivação se ter mantido como a vontade de resolver “as dificuldades financeiras”, cerca de metade dos indivíduos não tinha consciência do valor despendido com a actividade.
Exclusão de acesso a casinos motivou 114 solicitações até Março
A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) recebeu no primeiro trimestre deste ano 114 pedidos de exclusão ao acesso a casinos. Do total, 103 foram de auto-exclusão, representando 90,35%, enquanto os restantes 11 foram submetidos a pedido de terceiros. No ano passado registaram-se 376 pedidos de exclusão. Ao abrigo da lei que condiciona a entrada, o trabalho e jogo nos casinos, vigente desde 2012, o director da DICJ pode interditar a entrada, em todos os casinos ou apenas alguns, pelo prazo máximo de dois anos, às pessoas que o requeiram ou conforme requerimento apresentado para esse efeito por cônjuge, ascendente, descendente ou parente em segundo grau.



