Arlinda Frota inaugura amanhã no Albergue SCM uma exposição que une pintura em azulejo, uma técnica histórica, a obras em acrílico, uma vertente mais recente deste tipo de arte. Para a artista, esta nova técnica permitiu-lhe ter “uma sensação de grande liberdade” por estar habituada a pintar com grande minúcia e precisão

 

Inês Almeida

 

O Albergue SCM recebe a partir de amanhã e até dia 19 a mostra “Do Passado à Actualidade”, da autoria de Arlinda Frota, uma exposição “um bocadinho diferente” das que a artista por norma apresenta. “Esta exposição terá 50 peças mas apenas uma será em porcelana, feita este ano. As restantes são painéis de azulejos, tradição portuguesa, não só com imagens antigas mas também outro tipo de composição alusiva ao Oriente”, explicou Arlinda Frota à TRIBUNA DE MACAU.

A mostra terá ainda uma segunda parte composta por telas pintadas com acrílicos fluídos, “uma técnica muito mais recente, que surgiu há cerca de 10 anos nos Estados Unidos e bastante desenvolvida na Holanda”. “Nos últimos meses, há muita gente que se quer introduzir nesta técnica e penso que é uma novidade também em Macau”, sublinha Arlinda Frota.

A opção por experimentar esta técnica prende-se com a liberdade que permite. “É uma vertente da pintura mais moderna, abstracta, que me entusiasma bastante porque vive-se muito o que se está a fazer, fica-se muito preso à qualidade do trabalho que vai sair porque é sempre uma surpresa”, sublinhou a pintora. Além disso, “para quem está habituada, há 20 anos, a pintar com muita minúcia, cuidado, precisão, a estar muitas horas a fazer os mesmos tracinhos muito finos, é uma sensação de grande liberdade poder fazer coisas maiores, peças grandes que nunca poderiam ser feitas na porcelana”.

Ao mesmo tempo, trata-se de “descobrir outra vertente da cor, de ver a cor que nos vai na alma projectada para um meio, para uma tela, o que é realmente muito entusiasmante e agradável”.

O título “Do Passado à Actualidade” prende-se com a união das duas técnicas: o azulejo, já tradicional, e o acrílico, representativo da modernidade. “É uma técnica nova que tem um passado na pintura que também é recente, porque a pintura abstracta e o desenvolvimento dos acrílicos são técnicas que resultaram da descoberta do petróleo”, frisou Arlinda Frota.

A entrada para a exposição é livre.