Produtos de artesanato de países de língua portuguesa estão novamente em destaque na RAEM, no âmbito da Semana Cultural, na Doca dos Pescadores. Nem todos os comerciantes se mostram satisfeitos com o interesse dos locais pelo evento, mas no geral a mensagem é positiva

 

Salomé Fernandes

 

Dias Visconde de Almeida

No programa da 10ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa insere-se o “Encontro Cultural Sino-Lusófono”, com bancas a expor objectos artísticos e de artesanato. Dias Visconde de Almeida é um dos profissionais presentes na Doca dos Pescadores. Enveredou pelo mundo das artes na escultura de talha e madeira devido a carências que a vida lhe criou. Só depois da necessidade veio a paixão, que hoje o faz dizer não lhe restar vida sem a arte.

É através do ramo abstracto da escultura que desabafa aquilo que não consegue exprimir oralmente. “São coisas muito ligadas a mim porque vêm do fundo da alma. Agora faço a escultura como forma de desabafo e não só por interesse comercial”, disse. Apesar de actualmente a motivação não ser apenas financeira, a expectativa ao participar no evento era superior.

Bhisaji Pandurang Gadekar

Dias Visconde, que participou também na edição de 2014, lamentou a falta de interesse pelo artesanato que está a registar este ano. “Hoje [ontem] é o segundo dia mas se tudo continuar assim diria que a edição passada foi melhor que esta. (…) E não só a clientela, mas da outra vez registei muito interesse por parte dos estudantes de conhecerem um pouco mais da arte não só angolana, mas africana e do mundo em si”, disse à TRIBUNA DE MACAU.

Na sua banca, que representa Angola, além dos trabalhos abstractos e contemporâneos, tem também figuras de artesanato.

Bhisaji Pandurang Gadekar, a divulgar produtos de Goa, Damão e Diu, está a encontrar uma experiência diferente. Considera que o público está interessado, e é a sua primeira vez em Macau, registando apenas problemas de comunicação. Mas até essa dificuldade descarta dizendo que “com arte não é preciso expressarmo-nos de forma verbal”.

Brígida Aragão

Todos os produtos que apresenta foram feitos por si, mas uma parte foi já produzida em Macau, já que no evento faz demonstrações de olaria nas quais também convida o público a lançar mãos à obra. Mais do que técnicas especiais, a diferença é ao nível do material. “O barro de terracota em Goa é mais duro, enquanto cá é muito flexível, mais mole”, explicou Bhisaji Gadekar.

Também Brígida Aragão se mostrou optimista com a primeira participação no evento, onde a banca com produtos de São Tomé e Príncipe tem atraído interesse sobretudo pelos produtos de artesanato, como canoas trabalhadas em madeira. Ainda assim, tem também expostos objectos de utilização mais prática, como sandálias feitas de pneu de carro. “Acho que é bom trazer os produtos de São Tomé, mostrar o que temos e falar mais do país”, disse.

Fabio Panone Lopes pinta murais, mas quando foi convidado desviou-se do seu foco para poder apresentar um produto mais original a mostrar o Brasil ao público de Macau. Assim, resolveu “trazer arte urbana para a roupa, para diversos produtos como camisetas, sombrinhas, máscaras, bonés, para a pessoa ter uma obra de arte na peça de roupa e levar um pouco do Brasil nos desenhos”.

Fabio Panone Lopes

Apesar de já ter optado por esta via em feiras no Brasil, é a sua primeira vez na Ásia. “Está a ser uma troca cultural muito legal até com os stands dos outros países, os outros artesãos”, frisou.

 

“Vamos Desfrutar” no Largo de Camões

A actividade “Vamos Desfrutar – Mercado com Destaque para os Produtos do Mundo Lusófono e Macau” volta a realizar-se no território, entre 26 e 28 de Outubro, no Largo de Camões. O contacto entre residentes, turistas e comerciantes acerca da cultura e os produtos característicos de Macau e dos países lusófonos vai contar com a participação de 20 empresas. Como novidade, serão introduzidos um “Pop-up Café” com oferta de petiscos e bebidas dos Países de Língua Portuguesa, uma “parede de expressões modernas” do quotidiano do contraste bilíngue em Chinês e Português, bem como um jogo de aprendizagem de Português.