A Assembleia Legislativa continua dividida quanto à adopção do reconhecimento mútuo das cartas de condução, mas os argumentos repetem-se
O reconhecimento mútuo das cartas de condução entre Macau e o Interior da China regressou à Assembleia Legislativa, desta vez através de uma interpelação de Ng Kuok Cheong. O Secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raimundo do Rosário, mostrou-se cansado com a insistência no tema.
“Não sei o que posso responder mais. Lembro-me que já respondi a nove interpelações escritas e também uma resposta dada no debate das LAG”, disse Raimundo do Rosário. “Já reconhecemos 110 países. E agora o 111º quero que tenha o mesmo tratamento, os requisitos vão ser os mesmos. Hoje em dia também quero ter menos carros e motociclos em Macau, e menos obras nas vias públicas, mas temos essa necessidade”, comentou.
Ng Kuok Cheong acusou o governante de agir às escondidas, pedindo uma consulta pública para averiguar que medidas devem ser adoptadas para que o reconhecimento mútuo se possa concretizar. E acrescentou que “naturalmente quem manda é o mercado, porque se houver quem alugue, as empresas vão adquirir lugares para esse efeito”, disse, referindo-se à obrigatoriedade de os carros de aluguer terem lugares de estacionamento próprios.
A acusação levou Raimundo do Rosário a afirmar que “quando me pedem para vir cá venho e respondo às questões, nunca trabalhei às escondidas, fui sempre honesto com todos”.
No entanto, os deputados contra a medida prosseguiram. “Não sei se o Secretário é corajoso ou não para apresentar ao Governo todas as propostas feitas pela nossa parte”, disse Sulu Sou, apelando a uma auscultação pública e evocando um estudo realizado pela Universidade de Macau. Por outro lado, Au Kam San questionou se “está a trabalhar sobre o seu próprio sentimento e não a ter em conta toda a conjuntura da RAEM”, frisando que o amor à pátria não pode ser usado como pretexto.
Ip Sio Kai acorreu em defesa da ideia, frisando que o acordo “vai facilitar a vida de quem está a trabalhar ou estudar em Macau”, uma vez que “depois deste reconhecimento podem conduzir até outras províncias da China”. E pediu mesmo ao Governo para realizar o reconhecimento “o mais depressa possível”. Lao Chi Ngai reforçou a ideia, mencionando que “mais de 200 mil pessoas querem conduzir na China, mas agora ainda não podem”.
Raimundo do Rosário não adiantou uma data para a concretização do acordo, e sublinhou estarem a ser desenvolvidos trabalhos no sentido de diminuir a pressão do trânsito existente.
S.F.



