Apontando que o ‘bullying’ entre alunos é uma das maiores preocupações dos pais, dois deputados pediram ontem soluções para este problema, na sequência de uma recente agressão de um grupo de adolescentes a uma colega, a qual foi filmada e andou a circular nas redes sociais. Chan Hao Weng pediu “penas severas” para os casos de ‘bullying’ e zero tolerância, ao passo que Iau Teng Pio defendeu que “as escolas devem criar canais de denúncia de ‘zero obstáculos e zero riscos’”

 

CATARINA PEREIRA

 

Os deputados Iau Teng Pio e Chan Hao Weng mostraram ontem preocupação relativamente aos casos ‘bullying’ entre alunos, instando o Governo a ter tolerância zero, a criar penas mais severas para os agressores e a prestar apoio contínuo às vítimas. No período de antes da ordem do dia, na Assembleia Legislativa, Iau Teng Pio começou por recordar um caso recente, em que vários adolescentes agrediram fisicamente uma colega da mesma idade, exigiram-lhe dinheiro e filmaram todo o processo de agressão para o partilhar nas redes sociais.

“Apesar de o caso já estar a ser acompanhado, revelou a fraca consciência moral e cívica dos jovens, bem como a existência da prática de violência e bullying entre eles”, observou.

Segundo Iau Teng Pio, “muitos pais relataram que os seus filhos também já sofreram algum tipo de bullying”. Chan Hao Weng disse mesmo que o ‘bullying’, dentro e fora das escolas, é “a questão que mais preocupa os pais”.

Nesse sentido, Chan Hao Weng instou o Governo a resolver, “em todos os níveis”, o problema, pedindo a disponibilização contínua de aconselhamento psicológico e emocional aos alunos que sejam vítimas destas agressões. Quanto aos agressores, sugeriu a imposição de educação sobre o Estado de Direito e “correcção comportamental, sem tolerância nenhuma”.

“Mais, há que aperfeiçoar a legislação, prevendo penas severas para os casos de bullying”, prosseguiu o deputado. Por outro lado, propôs a criação de “mecanismos de alerta” dentro e fora das escolas e no mundo cibernético, bem como o reforço das inspecções, “assegurando o bom funcionamento dos canais de denúncia e aumentando a formação de professores e assistentes sociais”.

Também Iau Teng Pio defendeu que “as escolas devem criar canais de denúncia de ‘zero obstáculos e zero riscos’” – além da comunicação oral aos professores, sugeriu a criação de linhas abertas e de formulários de denúncia por escrito ou via internet.

“O mais importante é que haja, ao nível institucional, garantias de protecção ao denunciante, com procedimentos de acompanhamento a iniciar-se nas 24 horas após a recepção da denúncia, a fim de, com acções concretas, demonstrar aos alunos que as suas ‘denúncias são úteis e seguras’”, afirmou, acrescentando também ser necessário advertir os estudantes para os efeitos adversos do uso abusivo do mecanismo.

Lembrando que foi criada a “Rede Interdepartamental de Protecção para a Promoção do Desenvolvimento Juvenil”, o deputado pediu que seja “efectivamente implementado”.

Iau Teng Pio apontou também para a necessidade de reforçar a educação digital sobre a responsabilidade física e em especial o ‘cyberbullying’, “cultivando os valores correctos de ‘não exercer bullying, não ser cúmplice e não permanecer em silêncio’”. Segundo disse, há dias circularam igualmente nas redes sociais vídeos de adolescentes fardados a fumar, o que, na sua opinião, “reflecte o desrespeito de alguns estudantes pelo cumprimento da lei”.

Ambos os deputados alertaram para as consequências do ‘bullying’. “Esse comportamento constitui uma acção violenta que causa traumas graves e duradouros nas vítimas, tanto a nível físico como psicológico. Com a crescente popularidade das redes sociais, o bullying já se estendeu muito para além do recinto escolar (…) A difusão das imagens violentas não só provoca um dano secundário às vítimas, como também deixa uma mancha duradoura na vida dos jovens agressores”, disse Iau Teng Pio.

Chan Hao Weng também afirmou que, para a vítima, “uma agressão tão-só já pode provocar traumas psicológicos permanentes, sentimentos de inferioridade e medo de ir à escola”, com impactos ao longo da vida.

 

Denunciados “despedimentos em massa” nas escolas

Chan Hao Weng afirmou ontem que tem havido “despedimentos em massa de professores” na RAEM, no contexto da baixa taxa de natalidade, sem, no entanto, apresentar dados. Segundo disse, “muitas escolas, devido à falta de alunos, procederam directamente ao despedimento de professores e de educadores de infância”. Defendendo que o Governo e as escolas “devem aproveitar esta oportunidade para reter os docentes experientes”, o deputado exigiu que sejam suspensos integralmente os “despedimentos abruptos”, optando-se pela “reafectação interna e pela reconversão de postos de trabalho”. Sugeriu também a abertura de canais anónimos para auscultar as vozes dos professores.