No Hemiciclo, três deputados puseram os olhos em matérias ligadas ao bem-estar da população, como planos de incentivo ao consumo, os vales de saúde e a hipótese de tratamento da velhice em Hengqin

 

Ngan Iek Hang apontou ontem para as preocupações de alguns residentes e comerciantes relacionadas com o carácter temporário do “Grande prémio para o consumo”, o que, de acordo com essas opiniões, “apresenta vazios na continuidade das políticas”.

Neste sentido, numa intervenção antes da ordem do dia, o deputado sugeriu que seja criado “um sistema estruturado de apoio ao consumo”. Especificamente, defendeu o lançamento de um plano de consumo trimestral com diversos cenários de consumo, incluindo restauração, retalho, indústrias culturais e criativas e habitação.

“Através de descontos de consumo faseados e contínuos, há que alargar o âmbito de benefícios universais, reduzir as despesas quotidianas da população”, sustentou.

Além disso, na sua perspectiva, o Governo pode tomar como referência a prática do Interior da China, estudando a viabilidade de subsídios específicos para substituição de electrodomésticos antigos por novos. “Há que criar um subsídio específico para os electrodomésticos com classe energética um, definir uma proporção racional e um limite máximo, e prestar, em conjunto com os operadores, serviços de recolha de aparelhos antigos e serviços complementares de instalação one-stop”, acrescentou.

Na intervenção, Ngan Iek Hang propôs ainda que o Governo estude a prorrogação dos subsídios temporários aos preços do gás e da gasolina, bem como assuma a liderança na criação de uma plataforma de cooperação entre os complexos turísticos e as pequenas e médias empresas, criando incentivos ao consumo nos bairros, com ênfase na promoção de pacotes para famílias.

Também focado na área de bem-estar da população, Wong Chon Kit instou o Executivo a “mudar a mentalidade na utilização dos vales de saúde, impulsionando os residentes a uma gestão activa da saúde”. Tendo em consideração que “todos os anos alguns vales de saúde não são utilizados”, o deputado eleito por sufrágio indirecto começou por sugerir uma “medida inovadora” de implementação de um “programa piloto de vales de saúde para idosos”.

“Os idosos, ao utilizarem os vales médicos em clínicas locais, receberiam um subsídio adicional proporcional”, descreve. Por outro lado, espera que seja criado um “programa de incentivo à gestão das doenças crónicas com os vales de saúde”, no qual os residentes que utilizem os vales em clínicas locais para participar em rastreios de doenças crónicas possam receber prémios ou pontos adicionais.

Além disso, o deputado, também dentista, considera que o Governo deve proceder à adjudicação anual de parte dos serviços de saúde pública a instituições médicas sem fins lucrativos, permitindo-lhes também subcontratar alguns serviços a clínicas privadas qualificadas.

Já Chan Lai Kei apelou a “um bom aproveitamento do vasto espaço disponível em Hengqin” para criar um modelo moderno de cuidados para idosos. Acredita que, “com a disponibilização de produtos de cuidados para idosos, diversificados, multidimensionais e orientados para o mercado, será possível assegurar a distribuição transfronteiriça das necessidades que os idosos saudáveis ou ligeiramente incapazes têm dos respectivos cuidados”.

Além disso, exortou o Governo a alargar ainda mais a aplicação dos sistemas de segurança social e dos subsídios de Macau na Zona de Cooperação Aprofundada e a aliviar continuamente as restrições de permanência.