Os trabalhadores do sector do jogo têm sofrido cargas de trabalho “pesadas” e mais pressão no trabalho, de acordo com Leong Sun Iok. O deputado acredita que a introdução de mesas de jogo electrónicas, um número insuficiente de empregados e horários irregulares, entre outros factores, têm agravado as condições de trabalho dos funcionários dos casinos

 

PEDRO MILHEIRÃO

Os funcionários das operadoras de jogo continuam a sofrer cargas de trabalho mais pesadas e um aumento da pressão no trabalho, na sequência da implementação das mesas de jogo electrónicas, considera Leong Sun Iok, segundo um comunicado. Durante o “Fórum de Consulta ao Pessoal da Indústria do Jogo”, organizado pela Associação dos Empregados das Empresas de Jogo de Macau, da qual Leong é presidente, o deputado observou que os funcionários se têm sentido “mais propensos a cometer erros” e preocupados com os potenciais impactos destes no próprio emprego.

De acordo com Leong, as mesas de jogo electrónicas obrigam os funcionários a realizar várias operações dentro de prazos específicos, sendo que, na eventualidade de ocorrerem equívocos e de os supervisores não serem compreensivos, estão sujeitos a receber cartas de advertência. Ademais, os efeitos que cambistas ilegais e carteiristas têm no funcionamento dos casinos vêm afectando os próprios trabalhadores, que são por vezes “injustamente culpados por supervisores que não compreendem as circunstâncias”, defendeu.

Também referiu que “o número de funcionários continua a ser insuficiente”, face ao crescente número de visitantes nos casinos. Além disso, tem havido queixas acerca dos “sistemas de turnos caóticos” e das “dificuldades em solicitar férias anuais”. Segundo disse, os turnos nocturnos prolongados tornaram-se a norma, resultando em horários “irregulares”, com “mudanças de última hora”, o que dificulta o planeamento de períodos de descanso e de tempo com a família.

Ao mesmo tempo, defendeu o aumento do número de dias de férias e a simplificação do respectivo processo de pedido, acrescentando que os trabalhadores dos casinos “raramente têm autonomia genuína na escolha das datas”. Reconhecendo que a Lei das relações de trabalho estipula que as férias anuais sejam negociadas entre empregadores e trabalhadores, instou as empresas de jogo a realizar “uma revisão abrangente da intensidade do trabalho” e a optimizar os turnos, salvaguardando o “direito dos funcionários ao descanso”.

Leong Sun Iok frisou ainda que os empregados são “o activo mais valioso de uma empresa”. Nesse sentido, instou as concessionárias de jogo a implementarem “políticas humanas, tratar os funcionários com respeito, aliviar as pressões de trabalho e abster-se de emitir cartas de advertência levianamente”, garantindo “tranquilidade” aos trabalhadores. O deputado salientou que a indústria do jogo, por ser o maior sector de Macau em termos de emprego, tem impacto na subsistência de dezenas de milhares de famílias.

Considerando o actual clima de emprego da RAEM, e as dificuldades que os residentes enfrentam em garantir trabalho, o Governo “deve promover ainda mais a localização e a mobilidade ascendente no sector do jogo”, defendeu. Além disso, deve ser mantida a política de “excluir os trabalhadores não-residentes de cargos como ‘croupier e supervisor’”.

De uma forma geral, as operadoras devem garantir níveis razoáveis de pessoal, inspeccionar regularmente os equipamentos electrónicos e minimizar o tempo prologado em pé, reforçando as medidas de segurança e saúde ocupacional, reiterou Leong. As condições de trabalho devem ser optimizadas e os sistemas de licenças aperfeiçoadas, “a fim de melhorar o moral e a saúde física e mental do pessoal”, rematou.