Os casos remetidos ao Ministério Público envolvendo crimes de delinquência juvenil aumentaram para mais do dobro no primeiro trimestre deste ano em comparação com o período homólogo de 2017. A mesma tendência foi seguida pelo número de jovens envolvidos nos delitos. A maioria dos casos refere-se a crimes contra a pessoa
Inês Almeida
No primeiro trimestre deste ano foram registados 17 delitos protagonizados por menores, enquanto em igual período de 2017 contaram-se 14 casos, o que representa um aumento de 21,4%. Nestes delitos estiveram envolvidos 34 jovens menores, mais do dobro do número contabilizado em 2017, quando foram identificados 15. O aumento é de 126,7%.
No que respeita à tipologia de crimes, a maioria dos delitos engloba-se na categoria dos crimes contra a pessoa. Ao todo, contam-se nove ocorrências nos primeiros três meses: duas em Janeiro, uma em Fevereiro e seis em Março. Dentro dessa categoria, houve sete casos de ofensa à integridade física simples e dois que não se enquadram em nenhuma das tipologias pré-estabelecidas.
Os crimes contra o património foram três e aconteceram todos em Março. Mais especificamente, houve um furto em estabelecimento comercial, outro numa viatura e um caso de dano.
Houve ainda quatro jovens envolvidos em crimes contra a vida em sociedade, dois em Janeiro e dois em Março. Todos os casos foram de fogo posto. Registou-se também um processo por tráfico e venda de drogas, em Março.
Wong Sio Chak assegurou que as autoridades têm tentado combater este tipo de criminalidade com actividades e mecanismos já implementados destinados a ajudar ao crescimento saudável.
O Secretário para a Segurança falava no balanço da criminalidade para o primeiro trimestre do ano. No total, as autoridades policiais instauraram 3.547 inquéritos criminais, o que revela uma subida anual de 1,7%.
Os números fornecidos pelo Secretário mostram que foram registados 631 crimes contra a pessoa, menos 7,3% que nos primeiros três meses do ano passado. Os crimes de “sequestro” sofreram um decréscimo de 41,9% para 61 casos. Os crimes de ofensa simples à integridade física (392) caíram 3,2% e os de “ameaça” (41) 16,3%.
Pelo contrário, os crimes contra o património aumentaram 19,5% para 2.258. Neste grupo, os crimes de roubo (23) cresceram 27,8% e os de usura (107) aumentaram 20,2%. Além disso, foram investigados 691 casos de apropriação ilegítima. Os crimes de extorsão e de dano caíram 20% e 12% respectivamente.
As estatísticas mostram também que houve 210 casos de crimes contra a vida em sociedade, reflectindo uma descida homóloga de 27,1%, incluindo 16 situações de fogo posto e 49 de passagem de moeda falsa. As situações de falsificação de documentos (101) traduzem uma quebra de 21,7%.
A tendência de quebra foi seguida também pelos crimes contra o território, 216 casos entre Janeiro e Março, menos 37,8% que o período homólogo de 2017. Entre estes houve 153 de crime de desobediência, menos 46,7%. Por oposição, o crime de falsidade de declaração (47 casos) aumentou 11,9%.
Criminalidade violenta cai mais de 24%
Entre Janeiro e Março, contaram-se 145 casos que se enquadram na categoria da “criminalidade violenta”, reflectindo uma descida de 24,1%, quase um quarto. “Este decréscimo é devido a uma descida dos crimes de sequestro e de tráfico de droga que registaram uma quebra de 41,9% e 18,6%, respectivamente”, disse o Secretário.
Durante as operações policiais e de investigação no primeiro trimestre deste ano foram detidos e presentes ao Ministério Público (MP) 1.406 indivíduos, o que reflecte uma quebra de 22,8%.
Pelo contrário, registou-se uma subida dos crimes de burla, de 5,5% para 231. Entre essas ocorrências, as burlas telefónicas tiveram um ligeiro aumento, de 22 para 28 casos. No que respeita à burlas informáticas, ultimamente “a maioria dos ofendidos foram estudantes do ensino superior e do ensino secundário”, apontou o governante.
Só este ano, a PJ recebeu 40 queixas relacionadas com burlas telefónicas em que alguém alegava pertencer a organismos governamentais. Nestas situações, 80% dos lesados têm idades compreendidas entre 18 e os 34 anos, na sua maioria, universitários locais. De acordo com um porta-voz da PJ, os casos envolveram 6,67 milhões de renminbis.
Wong Sio Chak falou também sobre os crimes relacionados com o sector do jogo. No primeiro trimestre, a polícia instaurou um total de 61 procedimentos de crime de sequestro, 59 dos quais tiveram origem em crimes de usura, o que representa uma descida de 43,8%, comparativamente aos 105 instaurados em 2017.
A Polícia Judiciária (PJ) instaurou um total de 384 processos de crimes relacionados com o jogo, menos 9,4% face aos primeiros três meses do ano passado. Além disso, a PJ apresentou ao MP 467 arguidos por crimes relacionados com o jogo, mais 4,9%.
Tendo em conta o caso de uma rixa na madrugada de 3 de Maio, no COTAI, as autoridades procederam a três grandes operações que resultaram na intercepção de 280 indivíduos, dos quais 226 são suspeitos de actividades ilegais relacionadas com a troca de dinheiro e cinco mulheres suspeitas de prostituição, além de três pessoas suspeitas de entrada ilegal e um imigrante ilegal suspeito de usura.
Paralelamente “não houve aumentos de casos de criminalidade grave e violenta, a qual é susceptível de afectar ou influenciar directamente a estabilidade da segurança da sociedade”. Nesta tipologia destaca-se que se mantém uma taxa casuística muito baixa no que concerne à criminalidade violenta e grave como o homicídio, rapto e associação secreta, no entanto, relativamente a esta última categoria foi instaurado o primeiro processo crime.



