A comissão de serviço de Maria João Bonifácio, delegada da AICEP em Macau, vai terminar em Dezembro, confirmou a própria à TRIBUNA DE MACAU. Para o lugar ainda não existe um nome apontado, já que estão por abrir os concursos internos do organismo. Admitindo que o trabalho no território foi “intenso” mas gratificante, a responsável destaca ter sido “testemunha directa de um crescente interesse” das empresas portuguesas em Macau e na China e vice-versa. Além disso, considera confirmado o papel da RAEM como uma das “pontes privilegiadas, para a expansão e a consolidação da relação sino portuguesa”

Liane Ferreira

Ao final de seis anos e duas comissões de serviço, a delegada da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) em Macau, Maria João Bonifácio, irá deixar o território.

Segundo explicou à TRIBUNA DE MACAU, os delegados da AICEP podem fazer apenas duas comissões de serviço no mesmo posto, sendo que cada comissão tem a duração de três anos. Esta era a sua segunda. “Atendendo ao facto de que estou como delegada da AICEP em Macau desde Janeiro de 2013, completarei a minha comissão de serviço no final do corrente ano, pelo que não poderei continuar a exercer as mesmas funções em Macau”, confirmou a responsável.

A delegada indica que saindo de Macau, ou regressa a Lisboa ou será colocada noutro posto. “Esta decisão não compete a mim”, frisou.

Relativamente à pessoa que irá ocupar o seu lugar, admite ser uma informação fora do seu alcance, já que os concursos internos para as delegações ainda não abriram.

“Quando os postos ficam disponíveis, abre-se um concurso interno. Da mesma maneira que irei concorrer aos concursos que abrirem, se assim o achar. Não sabemos quais os postos disponíveis, porque não sabemos quem está a rodar. Se não formos seleccionados vamos para Portugal”, referiu, acrescentando que o processo ainda é longo e já não falta pouco tempo para terminar a comissão.

“Só depois do concurso fechado e do ministro dos Negócios Estrangeiros aprovar a selecção da AICEP é que se saberá quem virá. Além disso, as nomeações ainda têm de ser publicadas em Diário da República”, clarificou. Desde 2017, que está em funções o modelo de acumulação de funções da AICEP e do Fórum Macau, ou seja, o delegado da AICEP desempenha também funções como delegado de Portugal no Fórum Macau, pelo que o novo representante da agência de investimento também terá de assumir esse papel. Entre 2008 e 2010, Maria João Bonifácio foi a conselheira económica e comercial no Consulado Geral de Portugal em São Francisco, nos EUA.

Em forma de balanço declarou que “por força de uma evidente dinâmica empresarial, o trabalho em Macau tem sido intenso, mas sem dúvida muito gratificante, uma vez que tenho sido testemunha directa de um crescente interesse por parte das empresas portuguesas no mercado de Macau e no da China, bem como no sentido inverso, intervindo e participando constantemente e de forma activa, procurando ajudar essa dinâmica a produzir resultados”.

“Fruto da referida dinâmica empresarial, é agora cada vez mais incontornável a possibilidade de alavancar negócios para e com a China, confirmando o estatuto da RAEM como sendo uma das pontes privilegiadas, para a expansão e a consolidação da relação sino portuguesa”, indicou a delegada, acrescentando que a “relação ‘triangular’ entre Macau, a China e os Países de Língua Portuguesa tem tido resultados muito positivos e tem contribuindo para dinamizar as exportações e atrair investimento”.

Neste contexto, Maria João Bonifácio nota que a “AICEP tem vindo a trabalhar em projectos que visam apoiar Macau no processo de diversificação da sua economia, nomeadamente a afirmação da RAEM como um Centro Mundial de Turismo e Lazer, a Plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa, o desenvolvimento das Indústria das exposições e convenções e o desenvolvimento dos serviços da alta finança, indústrias criativas e comércio electrónico transfronteiriço”. Além disso, está “igualmente atenta ao grande projecto da Baia Guangdong – Hong Kong – Macau bem como Uma Faixa, Uma Rota, por forma a identificar eventuais oportunidades de cooperação para as empresas portuguesas”.