O director do Instituto de Estudos sobre a Indústria do Jogo da Universidade de Macau manifestou-se confiante sobre a expansão das áreas extra-jogo nos próximos tempos, prevendo mesmo que irão crescer mais depressa do que a própria indústria dos casinos. A diversificação económica foi uma das questões abordadas ontem num simpósio sobre o trabalho do terceiro Governo da RAEM
Viviana Chan
Davis Fong acredita que o ritmo do crescimento das componentes não directamente relacionadas com a actividade dos casinos será mais acelerado do que a evolução do sector do jogo nos próximos anos.
Numa análise ao balanço da acção governativa feito na terça-feira pelo Chefe do Executivo, o académico da Universidade de Macau (UM) considerou que o desenvolvimento dos elementos extra-jogo começou a ganhar forma no mandato do terceiro Governo da RAEM, período em que se registou um rápido aumento do consumo em Macau. De acordo com os seus cálculos, o volume do consumo em Macau terá crescido entre 20% a 30% anualmente ao longo da última década.
Traçando um paralelismo com outros países e regiões, o director do Instituto de Estudos sobre a Indústria do Jogo da UM defendeu que se trata de um resultado satisfatório, correspondendo às expectativas sobre o desenvolvimento as atracções não-jogo.
Na mesma linha, mencionou ainda o sector das exposições e convenções (MICE) em Macau, uma área que Fong acredita possuir grande potencial, apesar de ainda não ter evidenciado grande sucesso de desenvolvimento. Embora admitindo que Hong Kong e Singapura continuam a ser as grandes referências para o MICE, o académico contrapôs que Macau tem a vantagem de poder disponibilizar quase 30 mil quartos muito perto dos locais das exposições. “Isso é muito raro na Ásia”, salientou.
Em declarações ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU, à margem de um simpósio realizado ontem na UM sobre o balanço da acção governativa nos últimos cinco anos, o académico mostrou-se, por isso, optimista sobre a diversificação económica, devido ao crescimento da dimensão das áreas extra-jogo em Macau.
No mesmo simpósio, Agnes Lam, também professora da UM, defendeu que algumas medidas aplicadas com vista à melhoria da qualidade da vida alcançaram efeitos satisfatórios, pois “são supostamente os problemas que podem ser resolvidos com dinheiro”. Em contrapartida, a académica lamentou que outras questões relevantes, como a habitação, continuem por resolver. Devido às limitações de terrenos, “o problema das casas continua a preocupar a população”, alertou.
Por outro lado, Agnes Lam acredita que, nos últimos cinco anos, não foi recuperada a confiança no Governo que a população perdeu após o caso Ao Man Long. “O Governo ainda não encontrou a sua lógica da governação”, disse, apontando como exemplos o projecto da feira nocturna em Sai Van, ideia que foi abandonada depois de vários protestos, e a proposta do regime de garantias para os titulares dos principais cargos políticos que teve ecos veementes na sociedade e motivou as maiores manifestações da era da RAEM.
Agnes Lam entende que o Governo sente alguma dificuldade para dominar a opinião da população, existindo sobretudo falhas nos processos de auscultação pública. Para o futuro, a académica sugere que o Governo deve melhorar o modelo das consultas e recuperar prestígio através das políticas sobre terrenos e soluções para os problemas da habitação.
O simpósio decorreu no Centro de Estudos de Macau do antigo campus da UM, marcando presença nove académicos.




