A “Macau Legend Development” vai focar a sua atenção no desenvolvimento da Doca dos Pescadores com a construção de mais três hotéis e outras infra-estruturas. No entanto, os novos projectos estão dependentes de uma “luz verde” do Executivo que tarda a chegar, criticou o director executivo da empresa. David Chow fez ainda reparos semelhantes ao governo de Portugal por demorar na aprovação dos planos para Setúbal
Inês Almeida
Depois da venda do Hotel Landmark, David Chow assegura que a sua atenção está focada na Doca dos Pescadores, que poderá ter novas infra-estruturas no futuro. “Temos de investir mais dinheiro e desenvolver [projectos] senão a cotação na Bolsa desce”, indicou o director executivo da “Macau Legend Development”. “O Landmark é uma coisa, apenas parte do nosso valor. Então e a Doca dos Pescadores? Nós continuamos a desenvolver”, assegurou o empresário, acrescentando que a concentração dos esforços nesse empreendimento representa algo “bom para a companhia”.
“É uma questão de minimizar o tamanho e focar o meu esforço na Doca dos Pescadores. Todo o dinheiro que conseguirmos da venda do Landmark vai ser para o desenvolvimento da Doca dos Pescadores”, sublinhou David Chow, recordando que, apesar da venda do “Landmark”, a empresa ainda detém uma percentagem da gestão do casino instalado no hotel.
Actualmente, a “Macau Legend Development”, que ontem se reuniu em assembleia-geral, espera aprovação do Governo de “muitos planos” de expansão da Doca dos Pescadores. “Estamos à espera de aprovação do hotel, com 60 metros, mas tenho muitos planos. Tenho muitos desenhos. Há planos para uma marina, estamos a tentar construir um centro de convenções, mais três hotéis. É tudo o que está pendente”.
“O Governo tem de me dizer o que posso fazer. O hotel é de 250 milhões de dólares americanos, o centro de convenções mais de 200 milhões. Tudo junto é muito dinheiro. Mas o Governo tem de responder”, frisou David Chow.
Apesar dos planos que já traçou, o director executivo da “Macau Legend Development” diz não estar satisfeito e sublinha que há muitos investidores interessados em Macau. “Há muitas pessoas que estão a considerar investir em Macau e me procuram. Não posso dizer quem, mas há muita gente que quer vir por causa das condições de Macau no futuro. Estamos a falar da Ponte [Hong Kong-Zhuhai-Macau], da Grande Baía, do Delta do Rio das Pérolas. Em segundo lugar, o Aeroporto está a desenvolver-se. Isso é bom para Macau”. “Estamos sólidos. Muitas pessoas querem juntar-se a nós da China, da América, da Europa, de todo o lado, até de Hong Kong”, asseverou.
À espera de decisões oficiais para Setúbal e Cabo Verde
David Chow falou ontem também sobre os investimentos fora da RAEM frisando que, tal como no território, ainda aguardam aprovação dos governos dos países e regiões onde pretende investir. “Estou interessado em tudo: minério, cultura, agricultura, tudo. Não quero apenas casinos. Também outros recursos, reciclagem, transportes, resorts integrados. Têm de me dizer”, apontou.
Em Cabo Verde e Setúbal, tal como em Macau, o director executivo da “Macau Legend Development” aguarda autorização dos governos.
No que respeita ao projecto no Ilhéu de Santa Maria, “o edifício comercial já está sob renovação”, e também “já estão a trabalhar na ponte para a ilha”. “Em Agosto já vamos começar a construção do casino e do hotel, mas não é um grande projecto. O casino vai estar pronto dentro de menos de um ano, o hotel talvez um ano e meio”, salientou.
David Chow tem ainda planos para investir num banco em Cabo Verde, mas o projecto ainda aguarda aprovação. “Qual é o problema deles? Eu quero fazer isto. Cabe-lhes aprovar. Tenho muita experiência para fazer todo o tipo de investimento, querem ou não? Têm de me dizer”, vincou.
Em Setúbal a situação é similar. “Falem com o vosso governo [de Portugal]. Estou à espera. Espero, espero, espero. É o vosso sistema, a vossa nação. Mesmo com um passaporte português sinto-me um pouco perdido”, criticou, dirigindo-se aos jornalistas portugueses.
Por outro lado, Kelvin Wong, vice-presidente executivo da “Macau Lengend Development”, indicou que os danos provocados pelo tufão “Hato” no hotel “Legend Palace”, devem ficar reparados em Agosto. “Recebemos 50 milhões da companhia de seguros, então, o resto do dinheiro, vamos trabalhar também com a seguradora”, assim, “talvez dentro de dois meses” a reparação fique concluída.
Na corrida a uma licença de jogo
Apesar de actualmente operar casinos sob a licença concedida à Sociedade de Jogos de Macau (SJM), David Chow reiterou que vai tentar obter uma licença quando houver um novo concurso para a respectiva atribuição. “Temos um contrato com a SJM. Se for aberto um concurso, é claro que vou tentar obter a nossa própria licença, senão, teremos de continuar o nosso contrato com eles”, declarou o director executivo da “Macau Legend Development”.



