Depois de ter gerado forte polémica, o projecto do novo hotel na Doca dos Pescadores poderá avançar em breve. Melinda Chan adiantou que o plano deverá ser apresentado novamente mas com a altura reduzida dos controversos 90 para 60 metros. Segundo a empresária, essa revisão dará resposta às preocupações da sociedade. Por outro lado, representa uma cedência por parte do presidente do grupo, David Chow, que anteriormente disse ser “irrazoável” diminuir a altura do hotel

 

Liane Ferreira

 

Fora do escrutínio público desde 2016, após ter motivado grande controvérsia, voltou ontem à “luz do dia” o projecto de construção de um novo hotel na Doca dos Pescadores, uma ambição antiga do presidente da “Macau Legend Development”, David Chow. Melinda Chan, esposa do empresário e presidente da Doca dos Pescadores, revelou ontem que vai voltar a ser apresentado o pedido de construção, mas com a altura reduzida de 90 para 60 metros para “responder às preocupações da sociedade”.

De acordo com o “Ou Mun Tin Toi”, Melinda Chan reconheceu que 60 metros de altura já é suficiente. “É escusado toda a gente ter tantas dúvidas ou fazer com que uma parte das pessoas se sinta mal ou desconfortável com a paisagem”, disse, acrescentando que, num curto espaço de tempo, espera poder voltar a apresentar o projecto.

Em Março de 2016, David Chow defendeu a altura inicialmente proposta para o empreendimento, alegando que “o projecto seguiu a lei pelo que é irrazoável obrigar a baixar a altura prevista”. Além disso, apelou ao Governo para ser justo.

A polémica estalou em 2015, quando foi tornado público o projecto de construção de um hotel de estilo alemão com 90 metros, perto do casino-hotel da Sands, e que taparia a vista para o Farol da Guia, incluído no conjunto do Património Mundial classificado pela UNESCO. Como o hotel está projectado para uma área que já não está inserida na zona de protecção do património, o parecer do Instituto Cultural não é vinculativo.

Quando a planta de condições urbanísticas, emitida pela Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transporte (DSSOPT), foi conhecida gerou-se uma onda de críticas, incluindo de Agnes Lam, líder do Grupo “Energia Cívica” e agora deputada, indicando que a construção ia prejudicar o Património de Macau. além disso, criticou o “secretismo” da DSSOPT.

Em Abril de 2015, a DSSOPT garantiu que o projecto ia cumprir todas as leis em vigor. Um despacho do Chefe do Executivo de 2008 definiu as cotas altimétricas para os edifícios construídos nas imediações do Farol e no terreno em causa podem ser construídos edifícios até 90 metros. Quando a planta foi debatida no Conselho do Planeamento Urbanístico a maioria dos vogais mostrou-se contra, sendo que, durante a reunião, membros da Associação Novo Macau, incluindo o agora deputado suspenso Sulu Sou, protestaram contra o projecto.

Os planos de expansão da Doca dos Pescadores também tiveram eco no Comité do Património Mundial da UNESCO, que em Maio do ano passado expressou insatisfação com a forma como a RAEM está a conduzir processos que acarretam riscos para o Centro Histórico. “O possível impacto de empreendimentos de grande altura nas paisagens do Farol da Guia e da Colina da Penha, bem como as crescentes preocupações sobre a falta do Plano de Salvaguarda e Gestão poderão ter sérias consequências” para a Declaração de Valor Universal Excepcional do Centro Histórico, advertiu na altura o organismo.