Sellma Luanny, que escrevia poesia esporadicamente desde que era adolescente, publica agora o resultado de um ano de dedicação à escrita em português. A obra “Poemas Matizados” é hoje lançada na Fundação Rui Cunha

 

Salomé Fernandes

 

É hoje lançado na Fundação Rui Cunha o livro de poesia de Sellma Luanny, sob o título “Poemas Matizados”, pelas 18h30, numa sessão cuja apresentação estará a cargo do médico e escritor Shee Vá.

Uma obra que não tem um tema como fio condutor. “Esta minha parte literária tem de ser livre, escrevo sobre tudo. Mas escrevo muito sobre o universo, a minha visão da natureza, as minhas emoções em relação a tudo o que vejo. Não sigo uma linha pré-determinada nem uma escola”, descreveu a autora.

Sellma Luanny nasceu no Brasil, formou-se em medicina, e veio para Macau em 1987, onde trabalhou como médica por quase 30 anos. Começou a escrever poesia na adolescência, tendo continuado no início da sua vida académica. Mas o curso de medicina, e mais tarde a profissão, consumiam tempo, pelo que se veio a desligar da escrita. Foi há cerca de oito anos que se reencontrou com a poesia. O impulso para voltar a escrever, foi a menopausa. “A poesia foi como uma mezinha ou um remédio que me viesse ajudar a retomar o equilíbrio”, explicou a autora à TRIBUNA DE MACAU.

Quando se começou a dedicar à poesia na vida adulta, optou pelo inglês. “Como trabalhava no hospital, muito do que fazia era em inglês, lia só um ou outro livro em português, por isso o inglês veio quase automaticamente nas minhas poesias iniciais”, disse. “Muitos rascunhos escrevia e enfiava na gaveta, porque trabalhava no hospital e não tinha tempo para me dedicar”, indicou Sellma.

No final de 2016, quando avançou com o processo de saída do hospital, tinha vontade de concretizar os projectos a que antes não se conseguia dedicar. “Foi por essa época que, por acaso, coincidiu o aniversário de uma amiga minha no Brasil, que foi minha colega de medicina. E resolvi fazer um poema pela ocasião e gostei resultado, então passei a escrever em português”, recordou a escritora.

Nem sempre foi um processo de transição fácil. Afastada do Brasil há já vários anos, teve de rever o artigo ortográfico e passar a limpo os poemas. “Mas o resultado veio e com o tempo comecei a gostar dos poemas, da experiência de escrever em português”, declarou. Presente durante esta evolução esteve Mafalda, sua irmã que se encontra no país de origem, a quem Sellma enviou todos os poemas que escrevia. Mafalda “achava que tinham futuro [os poemas].”

O livro agora editado pela Livros do Oriente é o resultado de cerca de um ano de escrita em português. “É poesia moderna, mas livre. Escrevo desde poesias minimalistas, que são poemas com poucas palavras, até uma poesia mais longa. Não gosto muito de fazer aquela poesia tradicional, quadrada e com rimas, com métrica perfeita. No meu caso, tem de ser livre”, frisou.

Quando no final de 2017 decorreu em Macau um congresso da União de Médicos Escritores e Artistas Lusófonos (UMEAL), Sellma teve a oportunidade de apresentar três poemas. Foi Shee Vá, seu contacto na UMEAL, quem lhe indicou contactar o editor Rogério Beltrão Coelho. O resultado desse contacto é o livro hoje apresentado.

Porém, os poemas em língua inglesa não ficam esquecidos. “Até tenho uma parte deles que está praticamente completa, que foi um tributo que fiz à minha mãe. A minha mãe faleceu há cinco anos e depois de um ano da morte dela veio aquela necessidade de homenagem, e fiz essa homenagem em verso”.

Aponta como dificuldade a diminuta publicação de obras em inglês em Macau. “Teria de ver outras formas”, disse, confessando no entanto que tem intenção de publicar os seus poemas em inglês.

“Poemas Matizados” vai ser colocado à venda na Livraria Portuguesa e também chegará às bancas em Portugal.