Na sua quarta edição, o curso livre de literatura portuguesa do Instituto Politécnico de Macau atinge um novo patamar, pois será leccionado por docentes de três instituições de ensino superior local, tendo pela primeira vez um cariz interinstitucional. Além disso, os docentes tiveram margem de manobra na escolha dos programas, por isso, espera-se uma maior abrangência temática
Liane Ferreira
Terminam hoje as inscrições para o curso breve de literaturas em Língua Portuguesa organizado pelo Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do Instituto Politécnico de Macau (IPM).
Em declarações ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, Carlos André, coordenador do Centro, afirmou que há quatro anos “desafiou” o professor Seabra Pereira para liderar a primeira edição do curso, tendo regressado no ano seguinte para mais uma acção de formação. Em 2017, Carlos André tomou sozinho as rédeas do programa, mas este ano o panorama é diferente, pois será leccionado por docentes do Centro e da Escola de Tradução do IPM, mas também da Universidade de Macau (UM) e Universidade de São José (USJ).
Assim, além de Carlos André, irão dar aulas as professoras Sara Augusto, Lola Xavier e Vânia Rego (IPM), Vera Borges (USJ), Inocência Mata e Dora Gago (UM).
“Este é o primeiro curso realizado em cooperação. Cada pessoa escolheu e organizou a sua unidade temática, sendo muito bom na relação da literatura com o quotidiano. Além disso, estarão representadas outras literaturas que não só a portuguesa, porque uma das docentes é especializada em literatura africana”, disse Carlos André. Este é o caso de Lola Xavier que a 26 de Março leccionará uma aula sobre a literatura angolana com foco em José Eduardo Agualusa e de Inocência Mata que falará a 23 de Abril sobre literaturas africanas em português.
Para o director, o facto de todas as pessoas contactadas terem dito que sim “é muito positivo, porque não é normal haver um espírito de cooperação entre instituições de Macau”. “Pensámos em pessoas com trabalho especializado, são todas doutoradas e dão literatura nas suas aulas”, esclareceu.
Destacando que o curso é livre e aberto a interessados de todas as proveniências, Carlos André referiu que nas edições anteriores os formandos incluíram não só docentes, mas também pessoas da área do Direito e outros sectores, o que tornou o curso “muito interessante”.
Para esta edição, a “procura tem sido suficiente”, tendo em conta que os participantes têm de abdicar de tempo depois do trabalho para frequentar as 10 sessões de duas horas e meia ou três horas de duração. No total, são 25 a 30 horas de formação.
“Já temos um número razoável de inscrições. A turma pode ter no máximo 20 pessoas”, afirmou o director do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa.
O objectivo do programa é “descobrir aproximações diversas de textos e autores e reflectir criticamente sobre a literatura enquanto expressão individual e expressão de um determinado tempo e circunstâncias”.
As aulas começam a 5 de Março com Carlos André e o “exílio da literatura portuguesa”, com destaque para Camões, Filinto Elísio, Marquesa de Alorna, Padre António Vieira, Alexandre Herculano e Manuel Alegre.
Em Abril, Sara Augusto focar-se-á na “literatura barroca entre o quotidiano e a estética literária”, seguindo-se em Maio Vera Borges com o “quotidiano no registo da poesia”, Vânia Rego com “Galveias era Galveias, o resto do universo era o resto do universo” e Dora Gago com “representações do quotidiano no Diário de Miguel Torga”.



