Além de atrair centenas de elementos da comunidade lusa do território, a comemoração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas atraiu olhares curiosos de chineses que, ainda assim, admitem que a maioria não tem noção da importância da ocasião
Inês Almeida e Rima Cui
As celebrações do 10 de Junho despertaram a atenção de alguns elementos da comunidade chinesa, curiosos em saber mais sobre o que move tantas pessoas em romagem ao Jardim de Camões para prestar homenagem ao poeta.
Alicia Lin levou consigo o filho, ainda pequeno. “Participo porque a escola do meu filho organizou uma actividade. Sei que hoje é Dia de Camões e participo todos os anos porque as escolas organizam actividades de forma regular”, explicou em declarações à TRIBUNA DE MACAU.
A residente frisou o facto de ser uma “cerimónia fora das actividades normais”, algo que “não faz parte das ocasiões que a comunidade de Macau celebra”. No entanto, tendo em conta que ela própria é poetisa, “assinalar o Dia de Camões é importante”. “Às vezes amigos meus que também são poetas organizam encontros neste jardim para encontrar inspiração”.
Além de comemorar o poeta, Alicia Lin quis aproveitar a ocasião para educar o seu filho para que também ele “fique interessado em escrever poemas”. “Acho que as pessoas de Macau não estão muito interessadas em participar nesta actividades porque não oferecem coisas. Actualmente, em Macau, só se um evento oferecer muitas coisas é que as pessoas vão lá e ficam animadas”, destacou a jovem num tom algo sarcástico.
Por sua vez, um residente de apelido Tang disse estar a participar na iniciativa para conhecer mais sobre a cultura portuguesa. “Aprendi Português no Instituto Português do Oriente e queria aproveitar esta ocasião para conhecer a cultura portuguesa. “O dia de hoje calhou num domingo mas, no passado, 10 de Junho foi dia de semana. Depois da transferência de soberania deixou de ser feriado, por isso, foi a primeira vez que marquei presença”, sublinhou o jovem.
A trabalhar na função pública, Tang acredita que é importante aprender Português e que o conhecimento da cultura “ajuda a aprender mais rapidamente a língua”.
“Já sabia o que era este dia, mesmo antes de aprender Português, porque aprendi na escola. A actividade está bem organizada. Camões foi um poeta que amou muito a sua Pátria, como o nosso Qu Yuan. Ambos são poetas que contribuíram muito e amaram muito a sua Pátria”, indicou Tang,
Assim, embora já tenha passado muito tempo, a população continua a celebrá-los. “Isso é muito importante. A população de Macau tem pouca paixão pelo dia 10 de Junho. Na comunidade chinesa de Macau, muitas pessoas nem sabem o que se celebra neste dia”, apontou. “Como o dia não é feriado, os chineses não celebram. É um dia para os portugueses e macaenses, não é para os chineses”. Por outro lado, “também quase não há divulgação”, apontou.
Philip Zhang, oriundo de Pequim, a estudar na RAEM, disse ter curiosidade em perceber o que era o dia 10 de Junho. “Quando estava no primeiro ano da universidade também participei nas actividades, mas, na altura, nem percebi bem o que era este dia. Acho que a actividade tem um grande impacto mas como aqui se concentram tantas pessoas e as condições não são boas, devia ser organizada num espaço interior”, defendeu o estudante.
Em relação à última vez que participou nas comemorações, em 2016, Philip Zhang garante que “o ambiente é exactamente igual”. “As pessoas chinesas estão muito interessadas em estudar as culturas ocidentais mas, como elas estão muito distantes da vida diária das pessoas, acabam por perder o interesse”, lamentou. “Acredito que apenas as pessoas mais velhas ainda se lembram da importância do dia e da marca portuguesa na sociedade de Macau”.



