Um inquérito da Casa dos Trabalhadores da Indústria de Jogo concluiu que, entre os funcionários de jogo, os “croupiers” e empregados de contabilidade são os que registam nível mais baixos de qualidade de vida. Para resolver o problema sugere-se o recurso a mais serviços sociais, sobretudo focados nas crianças e pais idosos. No entanto, o estudo apurou que esses funcionários têm pouca confiança nas entidades sociais
Rima Cui
Para avaliar a utilização dos serviços sociais e a qualidade de vida dos funcionários de jogo, a Casa dos Trabalhadores da Indústria de Jogo levou a cabo um inquérito junto de 1.397 trabalhadores da área, em colaboração com a Federação de Análise Psicológica Chinesa. O resultado, divulgado ontem na Universidade Cidade de Macau, indica que os “croupiers” e funcionários de contabilidade têm a auto-avaliação mais baixa e prestam serviços de pior qualidade do que outros colegas do sector.
“Os ‘croupiers’, auditores financeiros, funcionários responsáveis pela troca de fichas e trabalhadores de contabilidade têm pior qualidade de vida do que pessoas que ocupam outros postos no sector, tais como funcionários de serviços e de vendas”, apontou Pak Kin Pong, director da associação.
Em média, os inquiridos têm 38 anos de idade, um rendimento mensal de cerca de 20.000 patacas e na sua maioria são casados. Além disso, 83% exercem trabalhos por turnos. Um dos resultados principais do estudo mostra que os trabalhadores por turno procuram mais os serviços sociais, pelo que o organizador sugeriu o prolongamento dos respectivos horários de atendimento.
“Quando os ‘croupiers’ recorrem aos serviços familiares e aos serviços de cuidado a crianças, sentem-se mais apoiados pela sociedade”, acrescentou Pak Kin Pong.
O inquérito mostra que, durante o último ano, 60,63% das famílias dos funcionários de jogo usufruíram de pelo menos um serviço social. Sobretudo entre os que ganham menos de 20.000 patacas por mês, o grau de sentimento de apoio da sociedade cresce consoante o nível de participação pessoal e dos familiares nos serviços sociais.
O serviço mais utilizado foi o familiar e o menos recorrido o da reabilitação para portadores de deficiência.
Falta de consciência e confiança
Para aprofundar o estudo, a associação conversou directamente com 11 funcionários do jogo, levando à conclusão de que os empregados do sector pilar de Macau estão pouco conscientes em relação à importância dos serviços sociais na sua vida. Além disso, revelam preconceitos em relação a essas entidades, considerando que são direccionadas somente para pessoas vulneráveis, preferindo não utilizar os seus serviços.
“Para os funcionários de jogo de idade mais avançada e para aqueles que são separados, divorciados ou viúvos, a prática de voluntariado, por exemplo, pode contribuir para aumentar a qualidade de vida”, acrescentou Pak Kin Pong.
Segundo o director da Casa dos Trabalhadores da Indústria de Jogo, os funcionários não confiam muito nessas entidades e não acreditam que os possam ajudar a resolver os problemas.
Para a associação, recorrer a mais serviços de cuidados a crianças ou idosos pode ajudar esses trabalhadores a aliviar a pressão no trabalho ou até atenuar as dificuldades financeiras que enfrentam.



