O Instituto Cultural insiste em não abranger as casas da aldeia de Lai Chi Vun na zona de classificação de bem imóvel, facto que preocupa os moradores, receosos de que a povoação perca vitalidade. Por outro lado, há críticas sobre as plantas de condições urbanísticas de três lotes na aldeia e preocupações sobre eventuais construções privadas que possam destruir o ambiente da zona. Segundo a presidente do IC, a DSSOPT solicitou um parecer ao organismo, que sugere o ajustamento da obra consoante o ambiente geral de Coloane

 

Rima Cui

 

A última sessão de consulta pública sobre a possível classificação dos estaleiros navais de Lai Chi Vun como bem imóvel reuniu moradores de Coloane e outros interessados num total de cerca de 60 pessoas. No centro do debate estiveram as preocupações sobre o facto das casas da aldeia não estarem incluídas no âmbito da classificação.

“A Povoação de Lai Chi Vun tem uma longa história, os moradores são maioritariamente operários dos estaleiros, por isso a aldeia possui valor cultural. Caso as autoridades isolem as casas dos estaleiros navais a vitalidade da zona será reduzida”, alertou uma moradora de Lai Chi Vun.

Mas, para o Instituto Cultural (IC), a não inclusão das casas serve para facilitar o estilo de vida dos moradores. A vice-presidente do organismo argumentou que, caso as casas sejam incluídas na zona de classificação, os moradores que pretenderem renovar ou reconstruir os imóveis ficarão sujeitos a normas rigorosas. “A intenção das autoridades é salvaguardar o valor cultural dos estaleiros e ao mesmo tempo, garantir o ambiente de vida original da povoação”, realçou Leong Wai Man.

Um morador que vive ao lado de um estaleiro mostrou-se preocupado com a estrutura da construção e apelou ao Governo para encarregar profissionais de inspeccionarem claramente a situação. Já um operário de construção de barcos criticou as autoridades por não terem consultado o sector antes de avançar com o processo de classificação.

 

Plantas da DSSOPT com parecer do IC

Em discussão estão também as plantas urbanísticas de três lotes localizados na povoação, das quais consta que podem ser construídos imóveis não industriais com um máximo de 8,9 metros de altura até à esteira da cobertura, mais 2,5 metros da esteira à cumeeira. A altura dos edifícios tem motivado alguma insatisfação na sociedade.

Na consulta pública sobre os estaleiros, Sulu Sou aproveitou a oportunidade para salientar que estas plantas, a serem aprovadas, podem estar a dar “luz verde” ao surgimento de projectos privados junto às montanhas, podendo causar uma descoordenação futura entre as casas e os estaleiros.

Segundo o “All About Macau”, o deputado suspenso defende que o IC deve elaborar um plano concreto e vinculativo, para prevenir o “derrube dos esforços” dos departamentos de cultura pelas Obras Públicas.

Na perspectiva de Tam Chon Ip, responsável do Grupo de Salvaguarda de Lai Chi Vun, a situação causa estranheza. “O grupo tem dúvidas que o IC tenha realmente um plano para Lai Chi Vun, porque ao mesmo tempo que é feita a classificação de bem imóvel, a DSSOPT lançou várias plantas, o que é uma contradição”, contestou.

Para Tam Chon Ip, se o Governo insistir em separar os estaleiros da povoação será afectada “a relação harmoniosa entre a aldeia, as montanhas e costa marítima”, defendida na proposta de classificação. “Caso o Governo autorize a demolição total das casas da aldeia perto das montanha, as características originais de Lai Chi Vun irão desaparecer totalmente”, alertou.

Frisando que os respectivos terrenos não estão na zona de protecção temporária, Mok Ian Ian, presidente do IC, assegurou que a DSSOPT pediu pareceres ao IC sobre as plantas. Por sua vez, o IC sugeriu à DSSOPT que “ajuste de forma adequada o desenvolvimento das obras, tendo em conta o ambiente geral da antiga Vila de Coloane”.

À margem da sessão de consulta pública, a vice-presidente do IC frisou que o âmbito da zona a ser classificada e da zona de protecção temporária é definido através de procedimentos legais. Como o período de consulta ainda está em andamento, aquelas questões ainda não estão decididas. “Os três terrenos não se localizam na zona de protecção temporária, por isso as Obras Públicas têm de aceitar os pedidos dos empreiteiros conforme a lei”, frisou.

Apenas um dos lotes em causa tem uma casa construída. Os outros dois (com 43 e 65 metros quadrados) têm taipais de zinco e área em descampado.