A falta de informações sobre o plano para a captação de profissionais anunciado pelo Secretário para a Economia e Finanças gerou preocupações a Ella Lei e Ho Ion Sang. Para a deputada, é necessário “garantir que sejam verdadeiros quer os investimentos quer os trabalhadores importados, e facilitar a fiscalização do público”
O plano para captação de talentos e pessoal de excelência nas áreas científicas anunciado pelo Executivo foi alvo de críticas por parte de Ella Lei e Ho Ion Sang, que pedem mais informações sobre o programa. Em causa está também o sistema alternativo para fixação de residência.
Ella Lei disse não concordar com a criação de um projecto-piloto para a importação de quadros qualificados e especializados, nomeadamente “enquanto o IPIM não aperfeiçoar o actual regime”, por acreditar que isso levará à perda de controlo sobre as políticas, avaliação e autorização dos pedidos.
A deputada lamentou que o actual regime de importação laboral seja “alvo de críticas da sociedade por ser pouco rigoroso”, mas considera que “há ainda falta de critérios claros no mecanismo de importação de mão-de-obra especializada, deficiências na transmissão de conhecimentos e experiências para os trabalhadores locais e até abuso das quotas de trabalhadores”.
Pediu assim ao Governo que defina de forma clara o âmbito dos investimentos relevantes e dos técnicos especializados, detalhe os critérios e regime de pontuação dos mesmos, e aperfeiçoe a metodologia de avaliação e selecção, “por forma a garantir que sejam verdadeiros quer os investimentos quer os trabalhadores importados, e facilitar a fiscalização do público”.
Também Ho Ion Sang se mostrou preocupado com a medida, pedindo ao Executivo para divulgar “quanto antes” essas informações. A par disso, defendeu que “deve ainda lançar uma consulta pública para ouvir as opiniões dos residentes, com vista a conseguir chegar a um consenso e a aumentar a credibilidade da Administração”.
“Macau tem um mercado muito pequeno, de mono-indústria, de difícil diversificação, e em alguns sectores não há reserva de talentos, o que aumenta as dificuldades para a diversificação da nossa economia. Isto tudo vai resultar num círculo vicioso”, comentou, reconhecendo a necessidade de estudo de um meio para a importação e manutenção de profissionais. No entanto, considerou natural que a população esteja preocupada “com a possível falta de imparcialidade e de transparência” do programa já que “o IPIM falhou nos seus trabalhos de apreciação e verificação” e o Governo ainda não divulgou mais detalhes.
S.F.



