Vários elementos do Conselho do Planeamento Urbanístico criticaram a falta de informações sobre o planeamento geral e os projectos em concreto para a Zona A dos Novos Aterros. Representantes do Governo garantiram que, além de habitação pública, a zona irá receber equipamentos educativos, centro de actividades comerciais e quatro centros de transportes públicos

 

Rima Cui

 

Os vogais do Conselho do Planeamento Urbanístico (CPU) mostraram-se ontem preocupados com os planos para a Zona A dos Novos Aterros por consideram que se trata de uma zona “isolada” e que “não é adequada para viver”, para além de desconhecerem os respectivos planos concretos. Ouviram-se ainda críticas sobre a ausência de um planeamento geral da zona exigindo por isso ao Governo que divulgue mais detalhes.

“O Governo tinha dito que a Zona A vai ter 100 mil habitantes e 32 mil fracções habitacionais. Mas, sem actividades comerciais não haverá oportunidades de trabalho. Será impossível obrigar mais de metade dos moradores [da zona] a trabalhar nos outros aterros”, reclamou Leong Chong In, vogal do CPU, na reunião plenária de ontem.

Já Lam Lun Wai vincou a importância da zona dispor de um centro de actividades comercias. Para o arquitecto Rui Leão, é estranho que ao longo de todo o processo os vogais nunca tenham tido acesso a uma imagem tridimensional. Para o vogal do CPU, o Governo pretende centralizar a zona, elevando-a a um ponto de entrada e saída importante da cidade mas se a ocupar maioritariamente com habitação pública poderá ser excessivo, advertiu.

Em reacção, o representante da Direcção dos Serviços dos Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) afirmou que a Zona A vai prever equipamentos educativos, de saúde e culturais. Os 30 lotes de habitação pública vão situar-se no Norte e centro da zona. Já a Sul, disse, serão construídas casas habitacionais privadas, sendo que no sudoeste haverá um centro de actividades comerciais.

Por sua vez, Eddie Wu destacou a importância de aproveitar os espaços subterrâneos mas, segundo o Governo, esses planos já existem e incluem a construção de parques de estacionamento e um centro comercial para acompanhar o funcionamento das paragens do Metro Ligeiro na zona.

Logo no início da reunião, Lam Iek Chit quis saber mais sobre as questões rodoviárias. Segundo a DSSOPT, a Zona A terá quatro centros de transportes públicos, com vista a descentralizar o fluxo nas paragens do Metro. Além disso, estão planeados sistemas pedonais com elementos verdes.

Kuong Vai Cheok, vogal do CPU e chefe de departamento da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), disse que serão construídas quatro vias que ligam a Península à Zona A, três a quatro praças de autocarros, passagens superiores para peões estando também na mira das intenções uma pista para bicicletas. O vogal disse ainda que haverá instalações suficientes de estacionamento. Segundo um técnico da DSSOPT haverá ainda lugar para um terceiro workshop sobre o planeamento para a Zona A.

No entanto, Ieong Tou Hong referiu que as sugestões ou dúvidas apresentadas nos anteriores workshops nunca obtiveram resposta do Governo. Já para o vogal Vong Kuoc Ieng, é melhor apostar numa exibição em larga escala para que possa permitir recolher mais opiniões construtivas.

Por outro lado, sobre os dois lotes da mesma zona que serão utilizados para equipamentos escolares, os vogais levantaram dúvidas em relação ao problema de estacionamento que os pais dos alunos vão enfrentar quando forem buscar os filhos à escola. Segundo Vong Kuoc Ieng, também reitor da Escola Choi Nong Chi Tai, esse lugar poderá receber mais de 10 mil alunos.

Por sua vez, Eddie Wu espera ver construído um auto-silo público e que sejam reservados lugares provisórios para os pais. Para Mak Soi Kun, a solução passará pela polícia não aplicar multas aos pais, casos estes estacionem mal as viaturas quando forem buscar os filhos.