As autoridades policiais registaram uma diminuição de 12% no número de crimes no primeiro trimestre deste ano, sendo de salientar a descida de quase 40% na criminalidade violenta. Entre Janeiro e Março, registaram-se 48 casos de criminalidade informática, reflectindo uma redução anual significativa de 85,1%. Igualmente em curva descendente mantêm-se os crimes associados ao jogo. Por outro lado, o balanço do Gabinete do Secretário para a Segurança revela que os casos de abuso sexual de crianças subiram 80% para nove

 

Rima Cui

 

No primeiro trimestre deste ano, foram instaurados 2.565 casos de inquérito criminal, representando uma descida de 349 casos em comparação com o período homólogo de 2021, equivalente a uma diminuição de 12%, indica o balanço de criminalidade do Gabinete do Secretário para a Segurança. Segundo salientou, constata-se, em geral, uma tendência de quebra, sobretudo no que respeita aos crimes violentos.

No âmbito da “criminalidade violenta”, ocorreu uma diminuição anual de 39,4% para 43 casos. Em relação aos crimes de violência grave, como “rapto”, “homicídio” e “ofensas corporais graves”, Macau continua a manter taxas de zero ou muito baixas. Com recurso aos “Olhos no céu”, foram detectados 1.027 casos, incluindo casos violentos graves como “roubo” e “fogo posto”.

Entre Janeiro e Março, foram registados sete casos de violação, o que reflecte uma descida de 12,5% face ao primeiro trimestre de 2021, e nove casos de “abuso sexual de crianças”, o que significa um aumento de 80%. Entre estes, duas vítimas são menores que tiveram voluntariamente relações sexuais com os arguidos. Ocorreram também quatro casos de estupro, conduzindo a um aumento de 300%.

O balanço trimestral inclui ainda 258 casos de “ofensa simples à integridade física”, representando uma redução de 19%, e um de “sequestro”.

Além disso, as autoridades detectaram 321 casos de “burla”, um volume semelhante ao registado um ano antes – 129 foram de “burla informática ou através da Internet”, incluindo 28 de compras online, 20 que envolvem investimentos, 10 de armadilhas dos serviços pornográficos e 10 de namoro online. Registaram-se ainda 34 casos de burla relacionados com casinos, sendo 14 de troca de dinheiro.

Por outro lado, 29 casos de burla através da troca de dinheiro ocorreram fora dos casinos. Houve também 18 casos com o pretexto de apoio na procura de emprego, bem como 15 de burla telefónica, representando um aumento de 275%.

No período em análise, os casos de “criminalidade informática” caíram 85,1% para 48, incluindo 25 de “burla informática”, 23 dos quais relacionados com compras online com cartões de crédito; 14 ligados ao “acesso ilegítimo a sistema informático”; e dois à criação website falso sobre jogo.

Os dados oficiais mencionam ainda 268 casos de “furto” (-13%), 357 de “apropriação ilegítima” (-9,8%) e 256 de “dano” (-7,2%). Quanto à “usura”, registaram-se 11, menos 45% do que no período homólogo de 2021. Foram ainda investigados 34 casos de “extorsão” (+17,3%). Destes, 20 sucederam depois de conversas via Internet em que os intervenientes estavam nus. A maioria das vítimas é do sexo masculina, com idades compreendidas entre 18 e 40 anos, e o montante da extorsão variou entre milhares e as centenas de milhares de patacas.

Noutro âmbito, foram contabilizados 205 crimes de “aliciamento, auxílio, acolhimento e emprego de imigrantes ilegais”, o que significa que houve uma subida de 24,2%. Foram ainda descobertos 30 casos de simulação de casamento e 25 de trabalho ilegal, envolvendo 31 indivíduos.

Nos primeiros três meses deste ano, 930 pessoas foram conduzidas ao Ministério Público, o que corresponde a uma diminuição de 10,7%. Além disso, entre 11 de Janeiro e 10 de Fevereiro, durante 626 acções de “Operação Preventiva do Interno 2022”, foram investigadas 24.963 pessoas e 1.129 conduzidas aos serviços policiais. Destas, 240 foram entregues aos órgãos judiciais.

Detectaram-se também 51 imigrantes ilegais, um decréscimo de 44%, e 3.963 pessoas em excesso de permanência, ou seja, mais 18,7%.

 

Delinquência juvenil com aumento ligeiro

No capítulo da “delinquência juvenil” (15 anos ou menos), a polícia registou 19 casos, ou seja, menos um caso. Em causa, estão 29 menores (todos de sexo masculino), menos nove do que no primeiro trimestre de 2021. Neste casos, houve nove menores ofendidos (seis do sexo masculino e três do feminino). Entre os crimes cometidos, sete são de “ofensa simples à integridade física”, três de “abuso sexual de criança”, três de “furto” e dois de “fogo posto”.

Registaram-se ainda 16 casos de tráfico de drogas, uma quebra de 15,8%, abrangendo 33 indivíduos. Além disso, houve seis casos de consumo de droga.

No mesmo balanço, há também estatísticas que apontam para 486 casos de crimes cometidos por não residentes. “Entrada ilegal” (87 casos), “burla” (67) e “furto” (54) dominaram os crimes mais praticados. No primeiro trimestre, 335 residentes da China Continental queixaram-se de ter sido vítimas de crimes na RAEM, tais como de ofensa física, furto por carteirista, roubo, usura e burla, ocorridos nos postos fronteiriços, pontos turísticos e casinos. Entre os 366 infractores do Continente descobertos até Março, há 261 cambistas ilegais e 63 suspeitas em actividade de prostituição.

Por outro lado, o balanço revelou a ocorrência de 28 suicídios – morreram desta forma 14 homens e 14 mulheres. Nove das vítimas tinham idades entre 55 e 64 anos; seis mais de 65 anos; 12 na faixa etária entre 25 e 54 anos; e uma pessoa tinha entre 15 a 24 anos. Houve também 50 tentativas de suicídio (18 homens e 32 mulheres).

 

Crimes associados ao jogo em descida “acentuada”

Segundo o Secretário para a Segurança, houve 52 casos ligados ao jogo no primeiro trimestre. No ano passado, o número de crimes deste género registado desde o primeiro até ao quarto trimestre atingiu, sucessivamente, 89, 113, 77 e 63, respectivamente. Frisando que não se verificou um nexo de causalidade entre a situação actual da criminalidade ligada ao jogo e as alterações às políticas para o sector, o Secretário descreveu a queda como “acentuada”. Na sua perspectiva, a mudança tem a ver com a diminuição de turistas e a atenção contínua da Polícia.

Por outro lado, entre Janeiro e Março, foram interceptados 1.127 cambistas ilegais e detectados 33 casos do género, o que mostra uma tendência de crescimento. O Secretário alertou para o facto dos cambistas ilegais, que maioritariamente são do Continente, estarem a tornar-se gradualmente mais especializados. Assim, este é um factor de instabilidade a que a Polícia tem de dar resposta a longo prazo porque “é difícil erradicar” o fenómeno. Mas, Wong Sio Chak acredita que se a RAEM caminhar para um desenvolvimento mais regulamentado do sector do jogo, as actividades poderão ser controláveis.

O grupo de pessoas envolvidas em crimes relacionados com o jogo integrou três locais e 35 do Continente chinês.

Segundo o Secretário, no 1º trimestre, sob o contexto da taxa de desemprego local de 4,5% e uma taxa de desemprego dos profissionais do jogo de 0,25%, Macau conseguiu manter a estabilidade social. Mas, alertou que se a taxa continuar a subir, os conflitos sociais vão certamente aumentar de forma contínua.

Prevendo que as alterações às leis ligadas ao jogo não vão causar pressões directas à procura de emprego pelos trabalhadores do jogo, e até conseguirão aliviar a pressão laboral do pessoal do sector, Wong Sio Chak salientou ainda que, desde o encerramento de algumas salas VIP em Dezembro de 2021, não foi detectada, de forma notável, a prática de actividades criminosas por indivíduos alvo de despedimento. Também descartou qualquer movimento anómalo das sociedades secretas ou dos seus membros relacionado com o jogo.