Nos primeiros três do ano, a criminalidade em Macau subiu ligeiramente em termos anuais: registaram-se 3.332 casos, representando um crescimento de 1,3%. Apesar de homicídios, raptos e ofensas graves à integridade física continuarem a ocorrer num nível baixo, a criminalidade violenta subiu 12,5%, com as autoridades a observarem que os casos de tráfico e venda de drogas contribuíram para o cenário. De notar que os crimes contra a pessoa registaram um aumento de quase 16%

 

CATARINA PEREIRA

 

A criminalidade registou uma ligeira subida em Macau nos primeiros três meses do ano. De acordo com o balanço do Gabinete do Secretário para a Economia e Finanças, verificaram-se 3.332 casos de crime em geral, traduzindo-se num aumento de 1,3% em comparação com o período homólogo de 2025. Durante as investigações e operações policiais, foram detidos e encaminhados ao Ministério Público 1.421 pessoas menos 31 (-2,1%).

Casos de criminalidade violenta verificaram-se 63, uma subida de 12,5%, “dentro dos quais, os crimes de rapto, homicídio e ofensa grave à integridade física continuam a manter uma taxa zero ou uma taxa de ocorrência muito baixa”, sublinhou o Gabinete de Chan Tsz King.

Contudo, neste tipo de crimes, “o número de casos de tráfico e venda de drogas registou uma subida relativamente maior”. Ainda assim, foram apenas mais sete casos, totalizando 19.

“A Polícia tem vindo a reforçar a cooperação policial inter-regional e internacional”, pode ler-se na análise, acrescentando que, no período em análise, foram interceptados no Aeroporto “vários traficantes de droga e apreendidas drogas como heroína, flor de canábis, entre outros, avaliadas em cerca de 2,4 milhões de patacas”.

É ainda vincado que a polícia aprofundou a cooperação na repressão de drogas com os serviços de correios e os sectores de logística e de transporte aéreo, “prevenindo de forma rigorosa a entrada de drogas a Macau”. O número de indivíduos envolvidos nos casos de tráfico de droga totalizou 27, dos quais 16 eram de Macau, um de Hong Kong, cinco do Interior da China e outros cinco do estrangeiro.

Por outro lado, foram preliminarmente autuados 24 processos de violência doméstica, menos dois ou uma quebra de 7,7% em relação ao mesmo período de 2025. Até 15 de Maio, somente dois casos foram classificados como crimes de violência doméstica; 13 foram considerados ofensas à integridade física, enquanto nove ainda estão em investigação.

As autoridades deram ainda conta de 29 casos de condução em estado de embriaguez, mais 10 em termos anuais. Neste ponto, é dito que a polícia reforçou a estratégia de execução da lei, tendo montado “operações stop em arredores de restaurantes, bares, principais vias rodoviárias e postos fronteiriços, de forma a combater severamente este tipo de ilicitude.

 

Crimes contra a pessoa subiram quase 16%

No primeiro trimestre deste ano, os crimes contra a pessoa subiram 15,9% para um total de 655 (+90 casos), sendo que o número de casos de ofensa simples à integridade física “registou uma subida relativamente maior” – de 10,9% para 325 casos. Os pontos turísticos, casinos e hotéis e redondezas foram “os locais de maior incidência”. Assim, a polícia “intensificou” o patrulhamento e vigilância nestes locais, tendo reforçado o mecanismo de cooperação e de comunicação com as operadoras de jogo.

Ainda no capítulo dos crimes contra a pessoa, o número de ameaças subiu 26,5% para 43 casos, enquanto o de injúrias cresceu 2,9% para 36 casos. Registaram-se ainda quatro casos de estupro, sendo que no período homólogo do ano anterior não tinha havido nenhum caso.

Crimes contra o património registaram-se 1.943, uma ligeira descida de 0,3% em termos anuais. Entre Janeiro e Março, foram registados um total de 496 casos de burla, menos 59 casos (-10,6%) do que o período homólogo de 2025. De entre estes casos, as burlas telefónicas (44) e cibernéticas (102) representaram “descidas significativas” em comparação com o período homólogo transacto.

Entretanto, o sistema de videovigilância em espaços públicos, mais conhecido por “Olhos no Céu”, auxiliou na investigação de 2.906 casos, que incluíram casos de criminalidade violenta grave, designadamente crimes de roubo e de fogo posto.

 

29 casos de delinquência envolveram quase 50 jovens

Nos primeiros três meses do ano, registaram-se 29 casos de delinquência juvenil, menos três em termos anuais, casos esses que envolveram 49 jovens (menos cinco), dos quais a maioria (37) eram do sexo masculino. Dos casos verificados, somente dois foram encaminhados ao Ministério Público. Quanto ao número de vítimas, contabilizaram-se 20, sendo que 13 eram rapazes. Os crimes contra a pessoa perfizeram a maioria, num total de 25, sendo que 17 foram crimes de ofensa simples à integridade física (+3). Registou-se ainda um caso abuso sexual.

 

Burlas relacionadas com jogo cresceram 6,6%

A Polícia instaurou, entre Janeiro e Março, 585 processos relacionados com o jogo, mais 18 (+3,2%) do que um ano antes. Destacam-se 162 casos de burla (+6,6%) e 119 casos de exploração de câmbio ilícito para jogo (-9,8%). Já os crimes de empréstimo ilícito para jogo e de sequestro registaram, respectivamente, 45 e três casos, representando quedas de 11,8% e 40%. Os dados estatísticos apontam ainda que, no âmbito dos crimes de jogo, os casos de ofensa à integridade física subiram de 10 para 20.