Uma das principais batalhas da Creche da Santa Casa da Misericórdia prende-se com a falta de apoio de pessoal especializado. A directora da creche defende a importância da instituição passar a ter pelo menos um psicólogo. No ano lectivo 2017-2018, o infantário sinalizou três crianças com necessidades especiais. No sábado, a creche despediu-se dos seus 166 finalistas com uma festa temática para pais e pessoal da escola

 

Catarina Almeida

 

A directora da Creche da Santa Casa da Misericórdia de Macau (SCMM) lamenta a falta de apoio ao nível do apoio destinado a crianças com necessidades especiais. De acordo com Isabel Marreiros essa é, de resto, uma das principais dificuldades que a escola lançada oficialmente em 2002 se debate há já muitos anos. “É a maior dificuldade. Não temos praticamente apoio nenhum porque não há pessoal especializado”, explicou Isabel Marreiros em declarações à TRIBUNA DE MACAU.

No ano lectivo 2017/2018, a creche da SCMM registou três crianças com necessidades especiais de diferentes níveis integradas em turmas de ensino regular.

Para a directora, seria importante que fosse destacado um psicólogo, que a creche nunca teve por ser uma instituição subsidiada com o apoio do Instituto de Acção Social (IAS). “Era bom que houvesse da parte do Governo, do IAS, [a intenção de] fornecer a presença de um psicólogo para poderemos trabalhar melhor com estas crianças”, apontou. Isto porque é estas crianças estão na “idade crucial para se fazer algo, que seja eficaz, porque quanto mais pequena é a criança mais facilmente ultrapassa algumas dificuldades ao nível da linguagem e motor”, acrescentou.

A cada novo ano lectivo, a creche nunca sabe quantas crianças irá acolher com necessidades educativas especiais, porque “entram pela primeira vez [na escola] e muitas vezes os pais não duvidam [de problemas]”. “Porque são pais pela primeira vez, e na maior parte das vezes são as educadoras que detectam alguma coisa. Só depois falando com os pais é que levam as crianças à consulta”, explicou Isabel Marreiros.

Até agora, o único apoio que a creche recebe nesse sentido prende-se apenas com uma questão de facilitismo. “Só a partir do ano passado é que o IAS conjuntamente com os SSM conseguiu [agendar] com mais regularidade as consultas para essa avaliação das crianças, se for marcado através do IAS com o conhecimento da creche e consentimento dos pais. Isto porque se os pais forem sozinhos para marcar a consulta demora mais. Mas só temos a apoio esse nível, mais nada”, rematou.

Para o próximo ano lectivo, a creche da SCMM recebeu um total de 1.500 candidaturas para um total de 166 vagas disponíveis. “Todos os anos temos muitas inscrições para a creche mas sempre disponíveis poucas vagas”, apontou a directora.

Já no sábado, a creche despediu-se dos 166 alunos finalistas no âmbito de uma festa temática “Recriar um circo”. Mascarados de palhaços, mágicos, acrobatas, cavaleiros e dançarinos, com apresentadores a discursar em três línguas, e até mesmo numa banda musical improvisada em playback, várias dezenas de petizes actuaram em frente aos pais e pessoal do infantário.

Verdadeiros actores de palmo e meio, com três anos feitos ou por fazer até ao final do ano, desempenharam “bem a função, com muita energia e compenetração, na estreia de quem enfrenta o palco pela primeira vez, perante uma audiência de três centenas de convidados, ainda que salpicada de caras conhecidas de pais, irmãos e familiares, a darem ânimo e a aplaudir”, destaca a instituição.

Completada a idade limite para frequentarem a creche (em sete turmas), os 166 alunos “finalistas” que integram várias nacionalidades e se expressam em pelo menos um idioma para além da sua língua materna partem agora para a etapa seguinte de aprendizagem noutros jardins-de-infância da RAEM, levando na “bagagem as armas que as educadoras se esforçaram por lhes transmitir, sobretudo noções de autonomia, de convivência e solidariedade”.