A edição de 2026 da Feira de Produtos de Marca da Província de Guangdong e Macau contou com uma área superior ao ano anterior, mas mesmo assim não terá sido possível albergar todas as empresas locais que pretendiam participar na exposição. O deputado José Pereira Coutinho pede medidas aumentar os espaços do certame, permitindo que também seja possível criar um pavilhão específico para a América Latina

 

VÍTOR REBELO

 

Apesar da Feira de Produtos de Marca da Província de Guangdong e Macau (GMBPF) realizada recentemente na Cotai Expo do Venetian, ter aumentado este ano a área de exposição, o espaço ter-se-á revelado “insuficiente para acolher muitas empresas locais que manifestaram interesse em participar”, segundo refere José Pereira Coutinho numa interpelação escrita.

O facto de a GMBPF se ter mantido no mesmo local, contando com um aumento de apenas 10% na sua área de exposição, “contrasta com o crescimento da procura por parte das empresas”, menciona o deputado.

Pereira Coutinho afirma que “esta limitação física acabou por prejudicar muitas outras empresas locais que gostariam de participar, mas não conseguiram obter espaço, como aliás já se verificou em edições anteriores, em que o número de candidaturas a espaços promocionais excedeu a oferta disponível”.

O membro do hemiciclo refere que, embora a GMBPF tenha alargado a sua componente internacional, com a participação de países como Paquistão (convidado pela primeira vez em 2026), Indonésia, Myanmar, Malásia, Tailândia e Singapura, “o leque de economias asiáticas representadas poderia ser significativamente alargado”.

Considera que, sendo a Coreia do Sul, o Japão, Taiwan e a Índia economias com forte expressão comercial e tecnológica, a ausência na feira “representa uma oportunidade perdida para o aprofundamento das trocas comerciais e para a diversificação da oferta de produtos e serviços”.

Na sua interpelação, o deputado frisou também que a presença específica de empresas oriundas dos Países de Língua Portuguesa (PLP), designadamente de Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, merece um impulso adicional.

Assim, interroga o Governo sobre que medidas tenciona implementar para “satisfazer os pedidos de participação”, incluindo a incorporação de empresas locais e dos PLP, no sentido de transformar a feira num “verdadeiro ponto de encontro bilateral”. Na sua perspectiva, “iria criar condições para que estas empresas possam utilizar Macau como plataforma de entrada no mercado chinês e da Grande Baía, com objectivos concretos de atrair um maior número de expositores e compradores facilitando-se a sua participação, nomeadamente através de pavilhões temáticos, apoio logístico e linguístico, e agendamento de rondas de negócios”.

Para além disso, pretende saber que avaliação faz o Governo dos resultados da GMBPF de 2026 no que respeita à promoção do comércio e do investimento entre Guangdong com as empresas locais e os PLP, e que indicadores e metas foram estabelecidos no sentido de medir e melhorar o impacto concreto desta cooperação, designadamente ponderando-se a expansão da participação a outras economias asiáticas.

Por outro lado, questiona o Executivo sobre que medidas concretas vão ser implementadas para a próxima edição no sentido de aumentar os espaços de exposição permitindo que para além de mais empresas locais poderem expor os seus produtos, bem como a possibilidade de criar uma pavilhão específico denominado “Pavilhão América Latina”, à semelhança do que já existe para os países da “Rota da Seda”.

Para o deputado, “esta medida aumentaria a visibilidade dos produtos sul-americanos e criaria um ponto de encontro natural para negócios perfeitamente exequível combinando a expansão física, promoção direccionada, incentivos concretos e o aproveitamento das sinergias já existentes com o mercado lusófono e a plataforma de Macau”.

A GMBPF foi realizada sob o tema “Novas Oportunidades na Economia Prateada, Um Novo Capítulo na Vida Saudável, tendo registando mais de 90 mil visitantes, 1.600 dos quais profissionais, proporcionado mais de 460 encontros comerciais e a assinatura de 49 acordos de cooperação.