Instalações do Jardim de Infância Dom José da Costa Nunes, em Macau, China, 23 de fevereiro de 2024. (ACOMPANHA TEXTO DE 25-02-2024) GONÇALO LOBO PINHEIRO/LUSA
Instalações do Jardim de Infância Dom José da Costa Nunes, em Macau, China, 23 de fevereiro de 2024. (ACOMPANHA TEXTO DE 25-02-2024) GONÇALO LOBO PINHEIRO/LUSA

O Jardim de Infância D. José da Costa Nunes irá contar com 155 crianças no próximo ano lectivo, o que significa uma redução de 18% em relação a 2025/2026. 40 alunos entrarão pela primeira vez no estabelecimento de ensino, que terá oito turmas do ensino regular e uma do especial. Quanto ao quadro de docentes, confirma-se a saída de seis educadoras, quatro das quais são dispensadas, o mesmo acontecendo com quatro agentes de ensino. Tanto a directora do Jardim de Infância, Felizbina Gomes, como o presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses, Miguel de Senna Fernandes, consideram que a situação dos despedimentos é “triste”, mas reconhecem que “não havia outra solução para fazer face às despesas da escola”

 

VÍTOR REBELO

 

Uma redução de cerca de 30 a 35 alunos, o que significa um decréscimo de 18% em relação ao ano lectivo que agora termina, são as contas feitas pelos responsáveis do Jardim de Infância D. José da Costa Nunes para 2026/2027. O estabelecimento de ensino contará com 155 crianças, que serão distribuídas por oito turmas do ensino regular e uma do especial.

Do total de inscritos, 44 são do primeiro ano, quando em 2025 tinham entrado 50. Dos 155 que frequentarão o infantário, 65 são portugueses e macaenses. Este ano eram 76.

“Esta redução era expectável, pelas razões que conhecemos, de baixa natalidade em Macau”, disse a directora da escola, Felizbina Gomes, que acredita que “esta situação se vá manter durante dois anos, mas que depois comece a melhorar”.

No que respeita ao quadro de docentes, seis educadoras deixam de exercer, sendo que duas saem por iniciativa própria e quatro são dispensadas, passando o total para 18. Para além disso, há quatro dispensas entre as agentes de ensino, reduzindo o número para cinco.

Tudo isto se deve, segundo referiu a responsável da escola, à necessidade de reduzir as despesas, em virtude de falta de receitas. “A escola está vinculada ao ensino gratuito e é através do número de alunos que nós vamos receber o dinheiro do subsídio para fazer face às despesas”, explica.

Sobre a decisão tomada, refere que “foi muito difícil, porque é sempre triste ter de dispensar pessoas, mas esta é a realidade à qual não pudemos fugir, não tendo havido outra solução”. Acrescenta que esta é a primeira vez, desde que se encontra na Função Pública como directora (anteriormente na Escola Luso-Chinesa da Flora) que passa por uma experiência deste género.

Também Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM) que gere o Costa Nunes, revelou ser “uma situação triste ter de tomar uma medida impopular como esta, depois de nunca termos mexido nas pessoas, só que desta feita não podíamos ignorar”.

Considerando que, ao longo dos últimos tempos, o cenário se vinha agravando, o responsável foi peremptório em afirmar que a questão se tornou “insustentável”, daí as decisões tomadas em relação ao próximo ano lectivo.

“Ter de dispensar pessoas custou-nos muito, mas fizemos uma projecção e, se mantivéssemos o quadro como estava, daria um prejuízo enorme, muito complicado de gerir”, expressou, reconhecendo que a situação estava sendo “apenas adiada” há já algum tempo, mesmo antes da pandemia.

Como justificação para o actual estado de diminuição de crianças no ensino pré-primário, Miguel de Senna Fernandes aponta à baixa natalidade. “O Costa Nunes enfrenta as mesmas dificuldades dos outros estabelecimentos de ensino infantil, portanto o mal é geral”, sublinha.

No entanto, acredita que “o Governo está a olhar para o problema e tentar encontrar soluções, sabendo-se que a questão não é só de Macau, mas também de toda a China e a nível mundial”. “Não estamos numa situação boa, mas continuo a ter esperança de que melhores dias virão”, conclui.

Aproveitando as férias de Verão, o Jardim de Infância D. José da Costa Nunes vai proceder, em Julho e Agosto, a algumas obras de melhoramento das suas instalações. “O ginásio está a contas com infiltrações, assim como há necessidade mudar o elevador da escola”, menciona Felizbina Gomes.

Mesmo com as pequenas obras a decorrer, o estabelecimento de ensino receberá as crianças que irão participar nas actividades de Verão, as quais incidirão em artes plásticas, conto de histórias e momentos musicais, com ênfase em canções.

As inscrições ainda decorrem, mas a directora do Costa Nunes espera cerca de três dezenas de participantes. “Só depois de sabermos o número exacto de crianças é que decidiremos quantas salas serão ocupadas com as actividades”, afirma.

No que concerne ao ano lectivo 2026/2027, Felizbina Gomes aguarda com expectativa alguns projectos que a Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) está a lançar. “São projectos diferentes que a DSEDJ pretende desenvolver e, por isso, nós estaremos atentos para ver em que níveis a escola pode vir a ser beneficiada”, completa a responsável pela única instituição do território com ensino pré-escolar exclusivamente em língua portuguesa.