Cerca de 70 antigos militares que exerceram funções em Macau entre 1936 e 1975 vão, pela terceira vez, reunir-se num jantar convívio, a realizar na Doca dos Pescadores no dia 13 de Julho. Francisco Manhão, um dos quatro elementos da comissão organizadora, disse ao Jornal TRIBUNA DE MACAU que o objectivo é “relembrar os tempos da tropa”

 

VÍTOR REBELO

 

Algumas dezenas de ex-militares recrutados localmente ou destacados de Portugal para cumprir serviço obrigatório em Macau, entre os anos de 1936 e 1975, vão participar num jantar convívio no próximo dias 13, na sala de Convenções e Exibições da Doca dos Pescadores, pelas 19h00.

As inscrições, já encerradas, receberam a adesão de cerca de 70 pessoas que cumpriram o serviço militar no território e que, assim, terão oportunidade de recordar tempos passados nas guarnições existentes naquele período sob administração portuguesa.

“Esse é o objectivo deste convívio, ou seja, relembrar os tempos da tropa, num jantar que acontece pela terceira vez, sendo a segunda consecutiva”, disse ao Jornal TRIBUNA DE MACAU Francisco Manhão, um dos quatro elementos da Comissão Organizadora.

O antigo sargento miliciano reconheceu que esta é a única forma de reunir tanta gente. “Caso contrário é difícil juntarmo-nos para cada um contar as suas próprias histórias desses tempos da tropa”, frisa.

Francisco Manhão lembra-se desses tempos. “Eu estava no quartel da Ilha Verde e, se bem me recordo, foi nesse ano, de 1970, que houve o maior número de recrutas, uma vez que éramos quatro pelotões, dois de contingente geral e dois de sargentos milicianos, num total de 120 pessoas”, conta.

Manhão, actual presidente das direcção da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau, recorda que houve 11 recrutamentos desde 1936 e 1975. A maioria desses ex-militares ainda vive em Macau. “Outros já faleceram ou emigraram”, salienta o macaense, para quem “muitos portugueses [da República] destacados para o território por aqui foram permanecendo, constituíram família e se aposentaram”.

No futuro, a ideia é que o convívio seja realizado todos os anos, “mas para isso é preciso vontade das pessoas para organizar”, sustenta, sublinhando que os elementos da comissão actual já têm cerca de 80 anos e, por isso, “seria bom que pessoas com menos idade tomassem conta desta organização, para que o convívio tenha continuidade”, exorta.