O alegado caso de fraude com uso de criptomoedas que terá lesado cerca de 70 pessoas de Macau, entre as quais a Conselheira das Comunidades portuguesas, Rita Santos, e o seu filho, Frederico dos Santos Rosário, está a dar algumas voltas inesperadas. Em Hong Kong, a empresa de criptomoeda apresentou uma queixa contra Frederico dos Santos Rosário por alegadas alterações do contrato

 

Viviana Chan

 

Rita Santos, presidente da Assembleia Geral da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), investiu numa empresa de criptomoeda, mas agora diz ter sido lesada. Numa resposta à TRIBUNA DE MACAU, Rita Santos admitiu ter apresentado uma “queixa na qualidade de investidora e estar a colaborar com as autoridades policiais na investigação”.

De acordo com a imprensa de Hong Kong, cerca de 70 investidores de Macau foram vítimas no alegado caso de fraude, envolvendo uma empresa informática de Hong Kong. O filho de Rita Santos, Frederico dos Santos Rosário, apresentou uma queixa na polícia de Hong Kong juntamente com alguns investidores da RAEM.

Frederico dos Santos Rosário confessou ser sócio da empresa, mas também vítima, porque a companhia não lhe pagou 3,11 milhões dólares de Hong Kong relativos ao valor investido e retorno. A polícia da RAEHK considerou que o caso não tinha elementos criminais, sendo sim um caso de natureza civil, porque estava em causa a violação de contrato.

Na conferência de imprensa, o grupo de lesados garantiu ter investido mais de 20 milhões de dólares de Hong Kong num projecto de exploração de uma criptomoeda, mas o retorno prometido não foi pago recentemente, criando suspeitas de que se trate de um esquema de fraude informática. O grupo estima ter registado perdas até 50 milhões dólares de Hong Kong, incluindo o retorno prometido do investimento.

O director da empresa em causa, Dennis Lau tem sido referido como o responsável pelo caso, mas numa resposta ao jornal “Apple Daily”, afirmou que o filho de Rita Santos é o culpado pela não existência de pagamento do retorno aos investidores, porque alterou a cláusula do contrato passando o retorno de 25% ao ano para 25% ao mês.

A empresa referiu ainda que chegou mesmo a apresentar uma queixa na polícia antes do grupo liderado por Frederico dos Santos Rosário o ter feito.

Segundo a Rádio Macau, um investidor não identificado disse que Frederico dos Santos Rosário afirmou ser o dono da empresa para convencer os investidores de Macau. Para além disso, fotografias da conferência de imprensa em Hong Kong dão a entender que o caso envolve mais membros da família de Rita Santos além do filho.

Questionada sobre detalhes do caso, incluindo o valor de prejuízo, Rita Santos disse que “neste momento, não me é conveniente prestar mais declarações, dado que o processo está entregue às autoridades competentes e em segredo de justiça”.

 

ATFPM limpa as mãos

Outras informações dão a entender que a ATFPM apoiou o negócio, já que foram feitas sessões de promoção nas instalações na sede da associação.

À TRIBUNA DE MACAU, Pereira Coutinho, deputado que preside à ATFPM, declarou ser melhor falar com Rita Santos sobre o caso, mas assegurou que a ATFPM “nunca participou” nas sessões de promoções de negócios de criptomoeda.

“A ATFPM cede instalações para muitas instituições que precisem de espaços para eventos”, assegurou.