Em duas ocasiões diferentes, o presidente da Comissão de Regimento e Mandatos criticou ontem Sulu Sou por publicar no Facebook informações debatidas nas reuniões do organismo que dirige. Para Kou Hoi In, que foi acompanhado nos reparos por Vong Hin Fai, está em causa o respeito pelos outros deputados, colocando a hipótese de algumas citações poderem ser pouco objectivas. Sulu Sou responde às críticas sublinhando que se trata de uma questão de transparência
A Comissão de Regimento e Mandatos também debateu ontem o facto de Sulu Sou ter partilhado no Facebook alguns conteúdos das reuniões do organismo. “A Comissão deliberou por maioria que as reuniões fossem à porta fechada e nunca houve casos em que as palavras dos deputados tivessem sido divulgadas através da internet. No final das reuniões há a conferência de imprensa e é divulgado algum do conteúdo”, frisou Kou Hoi In. “De um modo geral, não vamos divulgar as posições de outros deputados”.
“Os membros entendem que essas revelações não conseguem reflectir o que os deputados queriam dizer. Houve uma violação do respeito mútuo entre os deputados”, defendeu o mesmo responsável. Além disso, “na AL, os deputados quando falam sobre determinados assuntos gozam de protecção jurídica”. “O carácter reservado das reuniões permite que os deputados discutam mais livremente”.
Na sessão plenária de ontem à tarde Kou Hoi In e o vice-presidente da Comissão, Vong Hin Fai, fizeram uma intervenção antes da ordem do dia referindo-se ao mesmo caso. “Será que as citações foram objectivas e precisas, ou foram parciais?”, questionaram. Além destas situações, a dupla alega que o “mesmo também aconteceu com as reuniões de outras comissões”.
Citando as disposições legais do Estatuto dos Deputados e do Regimento da Assembleia Legislativa, Vong Hing Fai e Kou Hou In lamentam que o deputado tenha “citado e divulgado o que se passou e o que foi dito nas reuniões das duas comissões, com a indicação de nomes”. “Trata-se de um acto de desrespeito pelos deputados e pelas deliberações tomadas pelas comissões, e de incumprimento das exigências previstas no Estatuto dos Deputados e no Regimento, violando, deste modo, as referidas leis e deliberações”, defendem.
“Consideramos que o acto em causa ignorou por completo as exigências previstas no Estatuto dos Deputados e no Regimento, perturbou gravemente a ordem das comissões, afectou os trabalhos destas, e violou a ética política dos deputados. Manifestamos a nossa insatisfação e defendemos que o acto em causa deve ser censurado”, afirmaram.
Sulu Sou discorda. “Respeito a posição da comissão, por isso, não continuei a fazer apontamentos. Não posso descrever tudo o que foi discutido em pormenor, mas espero que compreendam que o que revelo é para conhecimento do público sobre o que foi discutido”, sublinhou.
O deputado diz ter sido “criticado e questionado” pela Comissão, nomeadamente sobre a possibilidade de ter feito gravações de voz, algo que negou. “Não fiz porque sei que não é permitido”, assegurou.
I.A.



