Centenas de conterrâneos de Fujian marcharam desde o Fai Chi Kei até à Sede do Governo, manifestando desagrado sobre o insucesso na aquisição de um imóvel que serve de sede à associação desde 2009. Os manifestantes solicitam a intervenção do Governo para ajudar a travar o processo de perda da fracção
Viviana Chan
A Associação de Nanan Shishan de Macau (conterrâneos da Província de Fujian), liderada por Loi Chi On – número dois da lista de Song Pek Kei nas eleições legislativas – organizou mais um protesto, pedindo a intervenção do Governo depois de terem perdido um processo judicial em que requeriam a autorização de compra de uma fracção, situada no Fai Chi Kei, que funciona como sede da associação.
Além de atribuir as culpas ao Escritório “C&C”, a associação também manifestou descontentamento para com o Banco Nacional Ultramarino (BNU). A entidade bancária foi um dos credores do último proprietário do imóvel, uma fábrica de têxtil, que adquiriu a fracção.
Segundo Loi Chi On, a associação está em riscos de perder no final deste mês aquele espaço, onde foi instalado um templo de adoração a um Deus que tem muitos crentes residentes de Macau. Sublinhando que tem muitos membros e realiza rituais religiosos todos os meses, os promotores da manifestação advertiram que a perda desse espaço poderá provocar ainda mais protestos.
Nesse contexto, a associação quer contar com a intervenção do Governo para travar a realização do leilão por um banco de Hong Kong.
O protesto mobilizou aproximadamente cinco centenas de pessoas que partiram, às 14:00, da zona de Fai Chi Kei até à Sede do Governo, onde chegaram por volta das 16:00. O grupo de manifestantes parou no cruzamento entre a Rua do Campo e Avenida da Praia Grande numa tentativa de ultrapassar a zona prevista pela polícia, mas não se registaram confrontos.
O presidente da associação indicou que o percurso original previa uma passagem junto à entrada do Escritório “C&C” e da sede do BNU, mas essa intenção foi rejeitada pelo facto da Avenida da Praia Grande ser demasiado estreita.
Em declarações ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, Loi Chi On acusou os causídicos de prevaricação e omissão e de não terem cumprido o Código Deontológico da classe, pelo facto do escritório não ter conseguido assegurar a transacção do imóvel. Porém, segundo explicou Rui Cunha em Outubro, embora o contrato-promessa tenha sido assinado em Agosto de 2009 foi preciso esperar pela regularização dos corpos gerentes da associação e fazer o respectivo registo nos Serviços de Identificação para que houvesse condições legais para outorgar uma escritura pública de compra e venda. Todavia, isso só aconteceu em finais de Novembro de 2009, o que deu lugar à prorrogação do prazo para a celebração da escritura.
Questionado sobre o facto das condições legais só terem sido reunidas em finais de Novembro de 2009, Loi Chi On fugiu à pergunta, argumentando que “o escritório é que sabe bem de Direito”.
O mesmo responsável adiantou que poderá ser convocado mais um protesto antes de 30 de Novembro – data marcada para a realização de leilão do imóvel – na esperança de conseguir resolver o caso.
O Jornal TRIBUNA DE MACAU tentou contactar Rui Cunha, fundador do Escritório “C&C”, mas tal não foi possível até ao fecho desta edição.



