Embora reconheça o desenvolvimento do Fórum Macau ao longo dos 15 anos de existência, o Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong defende que ainda há muito a fazer. Vítor Sereno indica que o “desconhecimento entre as economias é elevado”, por isso, as missões económicas entre Portugal e a China podem abrir portas ao investimento que terá, por sua vez, um grande impacto na criação de emprego, além de fortalecer as oportunidades no Fórum e “nos mercados dos países dele integrantes”
Inês Almeida
O Fórum Macau “abraça três vectores de actuação que são absolutamente fundamentais para Portugal, nomeadamente a cooperação com a República Popular da China, o papel de Macau, o relacionamento com o mundo lusófono e, para além da dimensão estritamente económica, a promoção da língua e da cultura portuguesas”, defendeu ontem o Cônsul-Geral de Portugal para Macau e Hong Kong durante uma sessão sobre as áreas e modelos de cooperação promovidos em destaque pelo Fórum Macau.
Nesse sentido, “a cooperação entre Portugal, a China e os países de língua portuguesa deve ser intensificada e potenciada e deve passar pelo encorajamento, desenvolvimento e acolhimento de acções conjuntas para a promoção do intercâmbio comercial e do desenvolvimento comum”, destacou Vítor Sereno.
O cônsul disse também que é preciso incentivar a dinamização de mais iniciativas empresariais nos países lusófonos “e que visem promover e valorizar a oferta e potencialidades dos nossos mercados, promover sinergias e identificar complementaridades”.
Para tal, “missões económicas entre Portugal e a China podem abrir caminho a uma maior cooperação a nível intergovernamental, investimentos, novas parcerias no sector privado, mercados e a criação de oportunidades e incentivos para as empresas”, entende Vítor Sereno. “O investimento tem um grande impacto na criação de emprego e crescimento económico, em termos gerais, poderá fortalecer a ligação comum e as oportunidades no Fórum e nos mercados dos países dele integrantes”, acrescentou, notando que “o desconhecimento entre as economias é elevado”.
Apresentou ainda “temas fulcrais” para Portugal que constam do plano de acção para o triénio 2017-2019 apelando à “máxima atenção do Fórum Macau” para as questões e para a realização de actividades com impacto em domínios como a inovação, empreendedorismo e as “start-ups”. “Portugal já criou um caminho com vista a criar as condições necessárias para fomentar o intercâmbio entre os jovens empreendedores da China, incluindo Macau, e dos Países de Língua Portuguesa”.
Destaque mereceram também a “economia azul”, uma vez que “Portugal é um ponto fundamental nas rotas norte-sul do [Oceano] Atlântico mas também um ponto de passagem obrigatório nas rotas este-oeste” e a economia verde. “Portugal tem vindo a cooperar com a RPC neste domínio e acolhido inúmeras visitas de delegações do Delta do Rio das Pérolas por forma a aprofundar a cooperação neste domínio.
Vítor Sereno chama ainda a atenção para o desporto, “uma área que desperta paixões, mobiliza multidões e une os povos”. “Os representantes de Macau na Assembleia Nacional Popular deram voz recentemente a esta oportunidade de tirar partido das capacidades desportivas dos Países de Língua Portuguesa, nomeadamente ao nível do futebol, um sector que tem atraído investimentos avultados na China, no mundo”. Assim, faz sentido “organizar aqui em Macau eventos desportivos, acções de formação, assim como outros eventos relevantes”.
Por outro lado, “o intercâmbio entre Portugal e a RPC no domínio do turismo conheceu um forte desenvolvimento em 2017, com o aumento de cerca de 40% de turistas chineses”.
De qualquer modo, existe ainda “enorme margem de progressão pelo que exigimos que seja elevado o patamar de colaboração nomeadamente que seja dada maior atenção e intensificação a actividades nos mercados nos países lusófonos assim como uma crescida dinâmica e a interacção entre as empresas chinesas e dos países de língua portuguesa não só do ponto de vista da realização de actividades da esfera económica e comercial, como também no âmbito da formação e do investimento”, defendeu Vítor Sereno.



